
Habitacoes de luxo apagam memorias de "O Nosso Cafe"manuel azevedoFachada do emblematico cafe que fechou portas ha tres anos e meio dever? ser mantida e reabilitadaNatacha Palma, Manuel AzevedoNosso Cafe", na Rua 8, em Espinho, ira, em breve, dar lugar a um empreendimento de luxo com areas habitacional e comercial. A obra, que devera ter in?cio no pr?ximo mes de Setembro, ficara a cargo do actual propriet?rio, Manuel Salgueiro, conhecido empresario espinhense que adquiriu o edificio em leilao, em 1998, por cerca de 1,4 milh?es de euros. Apesar de ja ter sido demolido o edificio cont?guo ao "O Nosso Cafe", na Rua 21, onde chegou a funcionar o restaurante "Cartuxa" e mais tarde o bar "Mix", uma escola de ballet e uma biblioteca da Gulbenkian, segundo Manuel Salgueiro ? prov?vel que o edificio do cafe em si nao seja totalmente demolido. A fachada devera manter-se, sendo, por outro lado, reabilitada e melhorada.Trata-se de um pequeno consolo para os muitos que se habituaram a ver o espa?o como um lugar de passagem obrigatorio da cidade. "Cristal" e agora o unicoE que a historia de Espinho, como acontece em relacao a muitas outras cidades, inclui obrigatoriamente os seus cafes, verdadeiros pontos de encontro, onde eram passadas tardes inteiras, para ver e ser visto, em alegre cavaqueira.Na cidade "Rainha da Costa Verde" houve-os muitos o cafe "Avenida", o "Nery", o antigo "Palacio", o incontornavel "Moderno" e o "O Nosso Cafe", todos eles com um espirito muito proprio, quase uma ideologia, e por isso frequentados por diferentes camadas da sociedade, nao so espinhense, mas de toda a regiao.Actualmente, subsiste apenas o cafe "Cristal", um espaco normalmente frequentado por "habituais" e por "desportistas" das cartas, damas e domino. Foi com uma emocao contida que os frequentadores de "O Nosso Cafe" o viram fechar as portas ha 3 anos e meio depois de cerca de 50 anos de vida. "Tudo nasce, cresce, e morre", faz notar Valdemar Ribeiro, um dos antigos accionistas da "Sociedade Cafeeira dos Cem", mais tarde "Sociedade Cooperativa Cafeeira dos Cem", propriet?ria do cafe.No entanto, agora que o destino do espaco est? realmente tracado e a sua concretizacao se aproxima, as emocoes e sobretudo as memorias ligadas para sempre ao cafe e a todos os que os frequentavam voltam em catadupa.Ambiente de festa E com lagrimas nos olhos que Joaquim Ferreira Dias, que chegou a ser presidente da Assembleia Geral, recorda o ambiente de festa constante que se vivia no maior cafe de Espinho, o movimento do salao de bilhares situado na cave, e as festas e bailes que se realizavam no salao nobre, no primeiro andar. "Alem de tudo isso, o edificio contava ainda com um quiosque, com o restaurante "Cartuxa", com frente para a Rua 21, e ate uma adega tipica. Era um grande cafe, com um ambiente muito bom", conta Joaquim Dias. "O cafe nunca foi muito frequentado por jovens, a nao ser aqueles que iam ter explicacoes com o professor Pias, esse sim, uma figura ligada a historia do cafe", conta Maria do Rosario Pinto Correia. "De uma forma geral, o cafe era frequentado por pessoas de mais idade, de classe media/alta, muitas delas para concretizar negocios. As senhoras eram capazes de la passar tardes a fazer croche", recorda. Com o encerramento do espaco, muitos dos seus clientes mudaram-se para o actual "Palacio", frente ao casino. E muitos outros deixaram de ser vistos."Restou um vazio enorme"Manuel FonsecaCabeleireiroFoi um dos accionistas da Sociedade Cafeeira do Cem, proprietaria do "O Nosso Cafe", construido onde antes havia funcionado a Camara Municipal. Manuel Fonseca, cabeleireiro de Espinho e uma das mais conhecidas personalidades da cidade, ainda guarda algumas das accoes em casa. "Para recordacao", diz. E as memorias sao tantas... Manuel Fonseca lembra com saudade a epoca em que, ao domingo, se fazia fila para entrar no cafe e do tempo em que a "Malta Aldrabona", o seu grupo de amigos, ali se reunia todas as noites. "O �Nosso Cafe� sofreu muitas vicissitudes. Passou por varias administracoes que nunca alcan?aram o entendimento da maioria. O encerramento acabou por ser quase natural, mas deixou um enorme vazio", lamenta .