sábado, janeiro 13, 2007

O fim do Bairro de Paramos

O fim do Bairro de Paramos





Natacha Palma, Artur Machado

No passado dia 5 de Novembro, houve missa na Capela de S. João e de Senhora da Aparecida, no Bairro da Praia de Paramos, em Espinho, situada numa espécie de promontório frente ao mar, com pedras a servir-lhe de calço. Foi um dia de temporal. As palavras do pároco eram praticamente abafadas pelo som das ondas a bater contra as rochas, descalçando o edifício quase centenário. A capelinha abanava por todos os lados. "É desta", pensaram muitos.

A população do bairro, constituído por edifícios construídos clandestinamente em zona de domínio público marítimo, há muito que vive "habituada" a ter o mar a bater-lhe à porta. Não é por acaso que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) prevê a retirada da povoação, onde vivem cerca de 500 pessoas.



E outra hipótese não é, para já, colocada. Segundo Veloso Gomes, especialista em Hidráulica e Defesa Costeira e coordenador dos estudos para a Estratégia Integrada de Gestão da Zona Costeira, não existe qualquer projecto para defesa daquela zona costeira. "Claro que se houvesse uma situação de emergência em que a população estivesse em risco iminente, algo teria de ser feito, mas a prioridade passa pela retirada da população", explicou.

O problema é que a comunidade não está pelos ajustes. Com raízes muito vincadas, não aceita com facilidade viver noutro local. Aliás, algumas das cerca de 40 pessoas que foram realojadas há sete anos pela Câmara de Espinho no complexo habitacional da Quinta de Paramos voltaram para o velho bairro.

Por outro lado, sabendo o risco que corre, a população há muito que reivindica por obras de defesa e até acredita que elas irão ser feitas. Américo Castro, presidente da Junta de Freguesia de Paramos, garantiu ao JN que tem indicações nesse sentido de que o POOC o prevê. "São seres humanos que ali vivem e enquanto não for encontrada uma solução viável para o seu realojamento há que fazer obras que os protejam dos ataques diários do mar", afirmou. "Se não for por nós, será pelo menos para defender a ETAR (construída em plena duna há cerca de 15 anos), que estão agora a ampliar", explicou um empresário local.

Mas não será bem assim. Segundo Veloso Gomes, a ETAR está defendida por um esporão a sul, além de que, há cerca de dez anos, foi construída uma duna artificial frente ao equipamento. Quanto à população, pouco ou nada existe a defendê-la. "E quando as ondas conseguirem finalmente abalroar a capela, a povoação, situada a uma cota mais baixa, vai ser invadida pelo mar", vaticinou Veloso Gomes.

Da parte da Câmara, o vice-presidente, Rolando de Sousa, admite que a questão é complexa e por isso mesmo só poderá ser resolvida através de um "desígnio nacional". "A Câmara não tem meios próprios para realojar toda aquela população", concluiu.

"O mar está-lhes no sangue"

O Bairro da praia de Paramos existe há cerca de um século, altura em que pescadores de Ovar ali construíram palheiros onde guardavam o gado que arrastava as redes de pesca depois da faina realizada ali ao largo. Com o tempo, os pescadores instalaram-se de vez no local, construindo novos palheiros. Os palheiros deram lugar a casas de madeira que, mais tarde, há cerca de 80 anos, foram "forradas" a tijolo e as tábuas retiradas. "As pessoas que lá vivem são, na maioria, descendentes dos primeiros pescadores, transformando aquela comunidade numa grande família", explicou Américo Castro. "Não é por acaso que não querem sair de lá. O mar está-lhes no sangue e nunca poderão ser afastados dele. Qualquer solução que tenha se ser encontrada para os realojar, tem de ser perto da praia, a não mais de 500, 600 metros, ou nunca será possível convencê-los a sair dali", concluiu o autarca

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Um dia em..ESPINHO






Espinho (ESP) é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Aveiro, à Região Norte e à Área Metropolitana do Porto, com 9 832 habitantes no seu perímetro urbano (2011).

É sede de um pequeno município urbano, com 21,06 km² de área e 29 547 habitantes (2017),[2] subdividido em 4 freguesias.[3] O município é elo município de Vila Nova de Gaia, a leste por Santa Maria da Feira, a sul por Ovar e a oeste pelo Oceano Atlântico.



Em 17 de agosto de 1899 foi criado o concelho de Espinho. Os valores dos censos de 1864, 1878 e 1890 resultam da soma dos habitantes das freguesias que depois vieram a constituir este concelho.

Já em tempos do domínio romano na região existia um castro, o chamado Castro de Ovil, povoação referenciada pela primeira vez num documento de 1013, que assentava numa pequena colina de forma circular rodeada por um fosso a Norte e Nascente e por uma ribeira a Sul e Poente, que actualmente se encontra na Freguesia de Paramos.

Há cerca de 200 anos a zona de Espinho começou a ser utilizada para a pesca, ainda de forma sazonal. Esses primeiros ocupantes não construíram habitações, permanecendo na costa apenas durante a companha, para regressar à terra de origem no inverno, quando a violência do mar impossibilitava a pesca em segurança.

A fixação da população começou a fazer-se por volta do ano de 1776 (o concelho foi criado apenas em 1899, por desmembramento de Santa Maria da Feira), quando surgiram as primeiras habitações (os palheiros), feitas em madeira com os telhados revestidos com terra. A transição da madeira para a pedra ocorreu lenta e gradualmente e passou por uma fase intermédia, em que os palheiros, ainda de madeira, ostentavam uma fachada principal em pedra e cal.

Mais tarde, muitas destas habitações seriam adquiridas e transformadas, por famílias de posses, dando origem à colónia balnear de Espinho. Em menos de meio século, Espinho iria tornar-se numa das zonas de eleição do Norte de Portugal.

A devoção religiosa das pessoas da região levou à edificação, ao longo dos séculos, de diversos monumentos espalhados pela cidade e arredores. A Igreja Matriz dedicada a N.ª Senhora da Ajuda é exemplo disso; construída em 1930 segundo projecto do arquitecto Adães Bermudes, tem sabor revivalista, que procura conciliar com as necessidades contemporâneas.

Hoje Espinho é uma cidade moderna, com importante atividade turística, acolhendo ao longo do ano milhares de visitantes nacionais e estrangeiros. Para isso foi importante o fator clima (baixa amplitude térmica: 23 °C no Verão e 12 °C no Inverno) e os atrativos naturais e culturais (praia, paisagem, património, espetáculos, etc.), mas também a fácil acessibilidade (por via férrea e rodoviária), a proximidade do Porto e do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e a circunstância de se ter tornado numa concorrida zona de jogo.

Espinho é uma cidade conhecida pela sua feira centenária, gastronomia, potencial nas áreas do turismo e lazer, e pelo seu Casino.

  • FEST ̶ Festival Novos Realizadores | Novo Cinema: é uma celebração única de novo cinema e de novos cineastas. É um festival de cinema anual multifacetado que decorre na última semana de Junho na cidade de Espinho. Em 2018, o FEST chega à sua 14ª edição que terá lugar entre os dias 18 e 25 de Junho de 2018.
  • Feira semanal: É a maior feira semanal do país (e possivelmente da península ibérica), realizando-se todas as segundas-feiras, exceptuando alterações devidas a feriados. A realização da feira ocupa uma grande extensão da Avenida 24, desde o centro da cidade à freguesia de Silvalde, podendo-se aí encontrar uma grande variedade de produtos. São bem característicos da feira de Espinho a venda dos legumes e frutos de pequenos agricultores da zona, a venda do peixe pelas vareiras e o comércio dos ciganos, a que se juntam os tradicionais pregões.
  • CINANIMA : Festival Internacional de Cinema de Animação tem lugar todos os anos em Espinho, normalmente no mês de Novembro. O CINANIMA é um importante festival do cinema de animação a nível mundial. É organizado pela Cooperativa de Acção Cultural Nascente e pela Câmara Municipal de Espinho.
  • Festival de Música de Espinho: Criado em 1974, este festival de música clássica é organizado anualmente pela Academia de Música de Espinho com o apoio da Câmara Municipal.
  • Auditório de Espinho: Sala de concertos, teatro e dança e novo circo que faz parte da Academia de Espinho. Com uma programação mensal que aposta na variedade, inovação e qualidade. O AdE pretende assegurar anualmente uma produção cultural regular, que assente em produções próprias, co-produções e acolhimentos nos domínios musical, teatral, da dança e novo circo.
  • Centro Multimeios de Espinho: Iniciativas diversificadas e eventos culturais têm lugar no Centro Multimeios de Espinho, incluindo o CINANIMA. As pessoas interessadas em astronomia poderão assistir sessões no planetário, visitar a cosmoteca (biblioteca de astronomia) e participar em observações astronómicas que ocorrem regularmente.
  • Etapas dos circuitos mundiais de Surf e Vólei de Praia acontecem no Verão.
  • Festas populares: São João, São Pedro, São Martinho, Nossa Sr.ª do Mar, Nossa Sr.ª das Dores e Nossa Senhora da Ajuda.
  • Encontro de Homens-Estátua: Anualmente realiza-se no parque da cidade um dos maiores eventos deste tipo na Europa.
  • Feira dos " peludos": Realiza-se no primeiro domingo de cada mês. Vendem-se principalmente antiguidades variadas.

Transportes

A maior parte do concelho de Espinho encontra-se coberta por companhias de transporte privadas, como por exemplo UTC e a Auto Viação Feirense.[8]
Diversas auto-estradas garantem o acesso à cidade: A1A29 e A41.
CP tem a Estação Ferroviária de Espinho é uma interface da Linha do Norte e é o início da Linha do Vouga.[8]

Educação

A cidade de Espinho possui várias escolas, jardins de infância, ensino primário, básico e secundário. O Parque Escolar de Espinho divide-se em dois agrupamentos, o agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira e o agrupamento de Escolas Dr. Manuel Gomes Almeida. Em relação ao Ensino Superior existiu até final de 2016 um Instituto Superior. Ainda existem várias escolas profissionais e escolas de Música.
Na cidade de Espinho estão em construção vários Centro Escolar:

Bibliotecas

A rede de bibliotecas de Espinho é constituída por uma Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva e 6 Bibliotecas Escolares.[12]

Fórum de Arte e Cultura e Museu Municipal de Espinho

O Fórum de Arte e Cultura de Espinho surgiu do projecto de reabilitação da antiga Fábrica de Conservas Brandão, Gomes & C.ª; trata-se de um espaço dedicado à investigação, ao desenvolvimento cultural e à prestação de serviços à comunidade, numa confluência entre conhecimento, formação, educação e lazer.
O Museu Municipal de Espinho ocupa o núcleo central da antiga fábrica. "Constitui-se como um espaço dinâmico, de interacção entre o passado e o presente [...]. A concepção museográfica integra três exposições permanentes: fábrica de conservas, arte xávega e bairro piscatório/operário. A funcionalidade do museu municipal passa, também, por uma galeria de exposições temporárias, pelo centro de documentação e investigação em história local e por um serviço educativo aberto às escolas e restante população".[13]

Centro Multimeios de Espinho

O Centro Multimeios de Espinho é um espaço polivalente, aberto à realização de reuniões, congressos e exposições. Inclui um auditório com cerca de 300 lugares, devidamente equipado com a mais moderna tecnologia de som e imagem, permitindo a realização de outros eventos, nas áreas do Cinema, Música, Teatro e Dança. Possui também um moderno Planetário. A Galeria do Centro é um espaço amplo, com 400 m², disponível para acolher propostas expositivas da comunidade artística.[14]

Nave Polivalente de Espinho

A Nave Polivalente de Espinho surge voltada para a dinamização desportiva e recreativa, tendo por objectivos a promoção e o desenvolvimento do concelho. Com uma área coberta de 11.000 m², este espaço foi concebido para grandes espectáculos desportivos e culturais, sendo altamente versátil e flexível.[15]

Auditório de Espinho

Integrado na Academia de Música de Espinho, o Auditório assegura uma produção cultural regular, que assenta em produções próprias, co-produções e acolhimentos en diversos domínios culturais (musical, teatral, dança, novo circo). Pelo seu contributo, tornou-se uma referência cultural a nível da cidade e da região. Tem como estrutura residente a Orquestra Clássica de Espinho e o Drumming-Grupo de Percussão.[16]

Piscina Solário Atlântico e Balneário Marinho de Espinho

Piscina Solário Atlântico de Espinho e o Balneário Marinho de Espinho são duas unidades interligadas pertencentes à Municipalidade de Espinho e situam-se à beira-mar.
A Piscina foi originalmente construída em 1942, por iniciativa particular, diga-se, do empresário Manoel Pinto Bizarro, segundo projeto de traçado modernista da autoria de Eduardo Martins e Manuel Passos (devido à sua elevada qualidade arquitetónica, o projeto está referenciado no Inquérito à Arquitetura do Século XX em Portugal [17]). Em 1960 a piscina passou a ser um equipamento da Câmara Municipal de Espinho. O complexo foi depois ampliado, passando a englobar o chamado Balneário Marinho, que incluía uma piscina coberta aquecida e um sector de tratamentos com água do mar e algas (Talassoterapia).[18]
Na década de 1990 as instalações foram alvo de renovação com projeto dos arquitetos Isabel Aires e José Cid, que procuraram manter a integridade dos aspetos mais relevantes da configuração da década de 1940 – fachadas exteriores, entrada inicial, bar, salão de festas, que foram cuidadosamente reabilitados. A piscina exterior foi totalmente reconstruída restando apenas a prancha de saltos original, tendo sido adotado um novo perfil, com uma profundidade menor e mais segura. A piscina é hoje constituída por dois planos de água, um destinado a crianças e outro a adultos. O Balneário Marinho foi integralmente remodelado e modernizado, nomeadamente a piscina coberta.





sexta-feira, dezembro 01, 2006

Fim do 'bairro dos ciganos' com alegria, choro e revolta


Fim do 'bairro dos ciganos' com alegria, choro e revolta

Houve quem chorasse de desespero por não ter direito a uma casa e houve até quem quisesse invadir as habitações dadas a outros



chamado "bairro dos ciganos", a sul da Marinha de Silvalde, em Espinho, começou, ontem, a ser demolido. Os moradores do bairro, esses, já estão realojados num bloco de apartamentos de habitação social, construído a algumas centenas de metros daquele local, e que já se encontrava pronto há quase dois anos e meio. Segundo André Duarte, da Divisão de Acção Social da Câmara Municipal, o realojamento, que teve lugar há exactamente uma semana, decorreu dentro da normalidade e ordeiramente. Porém, segundo diversos testemunhos relatados ao JN, a história poderá ter sido bem diferente.

Na passada sexta-feira, depois de um vendaval que assolou o concelho de Espinho, vendo a estabilidade das casas, ou melhor, das barracas e casas abarracadas, seriamente comprometida, vários moradores do dito "bairro dos ciganos" ter-se-ão se dirigido à Associação de Desenvolvimento do Concelho de Espinho, onde estão instalados os serviços de Acção Social, para contar aos técnicos presentes o que se passava e para reclamar por casa.

Depois de observada a situação de perigo de derrocada de algumas das casas, os técnicos terão decidido então realojar as pessoas no dito prédio novo.
Munidos das chaves, os técnicos terão sido completamente rodeados pelos moradores do bairro, cada um a reclamar por casa. Segundo Idalina Crista, uma moradora do bairro da Marinha, a confusão foi geral e houve até quem tentasse invadir o prédio. Aliás, ainda ontem, uma janela de uma das casas do rés-do-chão mantinha-se partida.

"Eu vi. Os técnicos tiveram de dar as chaves sob ameaça e até houve quem ameaçasse de arma em punho. Uma técnica da Câmara estava branca como a cal. Por medo, deram casas à toa. A uma família com três filhos deram um T2 e a uma viúva sozinha deram um T3. Deram casas a quem não tinha direito e aos meus filhos, cada um deles inscrito há mais de 18 anos, ninguém deu casa", criticava, a altos brados, Idalina Crista.

André Duarte, por seu lado, negou ter sido vítima de qualquer tipo de ameaças e afirmou ao JN que as pessoas que foram realojadas, foram-no por direito e por prioridade. "Correu tudo dentro da normalidade", concluiu.

Em defesa de uma casa
Ontem, pela manhã, na casa nº1 do chamado "bairro dos ciganos", vivia-se uma situação de pânico geral. Fátima Lapa, a dona da casa, realojada no novo prédio de habitação social desde sexta-feira, ameaçava não sair da casa velha. Tudo porque os dois irmãos que com ela ali viviam, ambos casados e com filhos, não tinham tido direito a casa nova. Depois de informada que a casa iria ser demolida como as outras, a família e dezenas de amigos do bairro da Marinha reuniram-se junto da casa para impedir a demolição. Abraçadas aos filhos, as cunhadas de Fátima Lapa choravam de desespero por irem ficar sem tecto. Porém, André Duarte, da Divisão de Acção Social, chegou com a boa-nova, dizendo que a casa iria ser poupada até que as duas famílias pudessem ser realojadas



FONTE: JN

domingo, novembro 12, 2006

'Stuart' é o filme mais premiado do 30.º Cinanima



'Stuart' é o filme mais premiado do 30.º Cinanima


"Stuart", de Zepe


João Antunes

País com largas tradições na animação, a República Checa foi a grande vencedora da 30.ª edição do Cinanima, cujos prémios foram entregues ontem à noite. A honra deveu-se ao filme "Carnaval dos animais", de Michaela Pavlatova, que usa no seu filme, sobre duas sociedades em confronto, a dos homens e a das mulheres, técnicas tão diferenciadas como marionetas, plasticina, areia, recortes e computador.

O Grande Prémio Tóbis, entregue pelo júri internacional a um dos filmes portugueses a concurso, foi para "Stuart", de José Pedro Cavalheiro, também conhecido como Zepe, e que assina aqui a que é já a obra de referência na animação portuguesa deste ano. Convidando-nos a uma deambulação pelas zonas mais sórdidas de Lisboa, a partir da obra gráfica de Stuart Carvalhais, o filme obteve ainda o Prémio António Gaio, a que concorreram 17 filmes de produção nacional e o prémio para a melhor banda sonora original, provando que o filme de Zepe não se esgota na inspiração gráfica de Stuart, oferecendo-nos ainda uma "viagem" aos sons da capital. O júri da secção Jovem Cineasta Português premiou "Mais perto das nuvens, mais perto dos sonhos", na categoria cineastas até aos 18 anos, e ainda o filme "Porquê".

O júri internacional entregou ainda o seu Prémio Especial à produção canadiana "Tower bawher", de Theodore Ushev, nascido na Bulgária, e que no seu filme evoca o fervilhante período artístico do construtivismo russo, movimento nascido após a revolução de 1917. Este filme faz parte de um grupo de títulos escolhidos pelo júri da 2, e que serão oportunamente exibidos no programa onda Curta.

Desse lote faz ainda parte o divertidíssimo "Dreams and desires - Family ties", sobre as atribuladas filmagens de um casamento. Com este seu filme, a britânica Joanna Quinn, que há sete anos não ia a um festival de cinema, escolhendo o Cinanima para o "regresso", venceu também o Prémio José Abel. Finalmente, o júri final das longas-metragens, que tinha à sua escolha quatro títulos, optou por entregar o seu prémio a "Os Christies", do inglês Phil Mulloy, uma colecção de cenas sobre a vida de uma típica família, inglesa e psicótica

sexta-feira, outubro 20, 2006

Enterrar a linha férrea para voltar a unir Espinho

As obras de enterramento da linha férrea já estão a transformar a cidade de Espinho. Empreitada reclamada há décadas, só muito recentemente obteve verbas da Administração Central para avançar no terreno. Para o próximo ano, o PIDDAC destina-lhe mais de 43 milhões de euros. A obra de maior impacto passa pela construção de um túnel com 110 metros por onde passarão a circular os comboios, libertando a superfície para a implantação de uma avenida vocacionada para o lazer. O projecto inclui, ainda, a construção de uma nova estação (em frente ao Centro Comercial Palmeiras), novos espaços de estacionamento e a implantação de zonas verdes. No total, a obra que, acreditam os responsáveis autárquicos, irá acabar com a divisão da cidade custa cerca de 60 milhões de euros. Um terço dessa verba é da responsabilidade da Câmara de Espinho.

domingo, outubro 15, 2006

Enterramento da linha de Espinho é "vital"

Enterramento da linha de Espinho é "vital"

Enterramento da linha férrea termina em 2007. Câmara e população destacam importância da obra.
44.5 milhões de euros é a verba total que o PIDDAC 2006 disponibiliza para o concelho de Espinho, o mais pequeno da Área Metropolitana do Porto. A obra de enterramento da Linha do Norte na cidade da Costa Verde reclama quase a totalidade das verbas destinadas pelo PIDDAC a este concelho.

A obra, há muito desejada pela cidade, arrancou a sério a meio de 2004 e prevê-se que termine em 2007, como afirmou o antigo presidente do Conselho de Direcção da REFER, José Sobral, numa entrevista ao “Jornal de Notícias” em Março do ano passado.

Desejo antigo
A localização da linha férrea na cidade foi sempre posta em causa. A linha dos caminhos de ferro foi criada em 1870, quando Espinho era ainda uma vila. Ao contrário do que é normal, a linha dos comboios não se encontra na periferia, mas corta a direito a cidade, dividindo-a.

Apesar dos insistentes apelos de muitos habitantes de Espinho, só em 2004 surgiu algo de concreto para o enterramento da linha.

Críticas à obra
Apesar do consenso em torno do impacto regenerador que vai ter para o concelho de Espinho, há espinhenses que lamentam a falta de informação sobre o real traçado do enterramento. Um dos grupos que mais queixas tem apresentado sobre o processo da obra é o Movimento Pró-Enterramento da Linha Férrea na Marinha de Silvalde (MOPELIM) que reivindica o aumento da extensão do túnel a sul da cidade de Espinho. Segundo o actual traçado, o túnel termina poucos metros antes do bairro da Marinha.

José Mota, presidente da Câmara de Espinho há 12 anos, afirma que o enterramento é “vital para a cidade. Consciente das dificuldades que as obras causam no dia-a-dia dos cidadãos, José Mota assume que os inconvenientes são um mal necessário, quando comparado com a importância que o enterramento da linha férrea vai significar para o concelho e “mesmo para a região”. O edil de Espinho desvaloriza ainda as críticas, classificando-as de “pouco importantes”.

Obra vai impulsionar concelho
No entanto, a obra prossegue porque mesmo os habitantes do bairro da Marinha de Silvalde têm consciência da sua importância para um concelho que perdeu grande parte da força que tinha no início do último século.

Concelhos como Santa Maria da Feira, Ovar e Gaia tiveram um crescimento superior a todos os níveis, enquanto Espinho caía no marasmo. O director do jornal “Defesa de Espinho”, Lúcio Alberto, considera que o enterramento da linha vai impulsionar um concelho que não tem nem agricultura nem indústria e pode apenas apostar no turismo.

Os próprios espinhenses e os utentes da Linha do Norte concordam que, apesar do sacrifício das constantes mudanças de lugar da paragem dos comboios, o resultado final vai ser muito positivo.

Nuno Neves

quinta-feira, outubro 05, 2006

Mostra no Multimeios sobre o 5 de Outubro

Mostra no Multimeios sobre o 5 de Outubro





Mostra no Multimeios sobre o 5 de Outubro


Está patente na galeria do Centro Multimeios de Espinho, a partir de hoje e até 1 de Novembro, a exposição "5 de Outubro de 1910".

A mostra, que reúne várias dezenas de imagens e documentos sobre a Implantação da República, foi produzida pela Fundação Mário Soares e pretende ser "um retrato breve, mas rigoroso, dos homens e das organizações que realizaram a ideia republicana "O único herdeiro do trono é o povo".

Com o objectivo de divulgação de fontes sobre aquele acontecimento histórico, irá ser elaborado um CD-ROM, a abertura à consulta de numerosa documentação inédita de Afonso Costa e de Bernardino Machado e ainda a edição de um livro sobre "A Maçonaria e a Implantação da República".

As várias iniciativas são obra conjunta da Fundação Mário Soares e do Museu Maçónico Português / Grande Oriente Lusitano.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Igreja de Silvalde demorou 100 anos a ser concluída


Igreja de Silvalde demorou 100 anos a ser concluída
fernando oliveira

Bispo do Porto (ao centro) abençoou a inauguração oficial da igreja reclamada há decadas pela população


Natacha Palma

Ao fim de 100 anos, a igreja de S. Tiago de Silvalde, no concelho de Espinho, está, finalmente concluída. Depois de um século de espera e graças à generosidade de muitos, a população de Silvalde foi ontem testemunha de uma celebração litúrgica muito especial, que contou com a bênção e a presença de D. Armindo Lopes Coelho, bispo do Porto. O chamamento, esse, foi feito através do som dos sinos, não só de uma, mas de duas torres sineiras.

É que, há 100 anos, quando a igreja foi construída, o dinheiro não chegou para erigir senão uma torre sineira. E há cerca de 40 anos, quando foi possível reunir a verba necessária, grande parte da população preferiu ver nascer um salão paroquial, concluído já no tempo do actual pároco Manuel António.

Foi graças ao abade, conta Maria da Conceição Leite, que a obra foi possível.

"Ele não é pessoa de pedir, mas não foge com o corpo ao trabalho. As pessoas que puderam, ajudaram com dinheiro, mas era ele que andava lá no alto a verificar se a obra estava ou não a ser bem feita", conta aquela paroquiana, confessando que, por mais do que uma vez, teve o coração nas mãos, temendo uma queda grave.

"Ele é muito activo, mas já tem quase 70 anos", fez notar. "Nunca antes tivemos um padre tão bom, amigo dos pobres e dos velhinhos", salientou outra paroquiana.

Linhas modernas

A par da torre, a igreja sofreu outras obras, nomeadamente a construção de um novo baptistério e de uma nova ala sul, onde agora se encontra a sacristia e uma sala onde estão expostas fotografias de algumas das figuras do passado ligadas à paróquia e à construção da centenária igreja.

O baptistério, esse, acaba por ser o que mais atenções atrai, pelas suas linhas modernas. O espaço, onde se destaca a pia baptismal, essa de traços mais clássicos, é todo revestido a mármore.

Por trás da pia, brota de um rasgo na parede um leito de água que percorre calhas esculpidas no chão.

Ao longo da liturgia, os cânticos e as palavras são ouvidas ao som de água a correr, como se fosse um rio que por ali passasse.

"Foi uma obra muito bem feita. Valeu a pena esperar. Acho que toda a população de Silvalde só pode estar orgulhosa", afirmou, por seu lado, João Maia, da comissão fabriqueira.
"Sois uma povoação antiga"

D. Armindo Lopes Coelho Bispo do Porto

"Hoje venho a esta vossa paróquia para dar início a uma nova fase da vossa história de comunidade", afirmou o bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, que não deixou, ainda, de lembrar que "a História diz que sois uma povoação muito antiga, que se criou e desenvolveu em tempos imemoriais".

Uma paróquia anterior ao século XIII e que até teve um importante papel de evangelização

sexta-feira, setembro 08, 2006

Última fosforeira do país encerra portas no dia 30



Última fosforeira do país encerra portas no dia 30


Trabalhadores receberam notícia com tristeza, mas também com contentamento por os seus direitos legais estarem salvaguardados


Natacha Palma, Manuel Azevedo

A Fosforeira Portuguesa, a única empresa a produzir fósforos no nosso país, com fábrica em Espinho, vai fechar no próximo dia 30, ao fim de 80 anos, deixando 39 pessoas no desemprego. Isso mesmo foi comunicado formalmente à Comissão de Trabalhadores e a representantes do Sinorquifa - Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Norte, pela Administração da firma, numa reunião realizada na passada segunda-feira, na sede, em Lisboa. A falta de rentabilidade do negócio e os constrangimentos e regras de mercado considerados irreversíveis foram as razões invocadas.

A notícia foi recebida pelos trabalhadores com um misto de tristeza e contentamento.

"Tristeza, porque temos pena de deixar de trabalhar com esta Administração e contentamento por o negócio que o director da fábrica, Jaime Teixeira Pinto, pretendia levar a cabo e que implicava usar na compra de outras instalações o valor das indemnizações a que teríamos direito, ter ido por água abaixo", comentou Alexandre Silva, da Comissão de Trabalhadores.

Segundo Alexandre Silva, os direitos legais dos trabalhadores da Fosforeira Portuguesa estão agora perfeitamente salvaguardados.

Ainda assim, a Administração da empresa, que pertence ao grupo espanhol Fierro, tem em cima da mesa a proposta de Jaime Teixeira Pinto, que pretende continuar com a firma embora instalada noutro local, e a de dois trabalhadores da Fosforeira que se propõem adquirir aquela unidade industrial.

Alexandre Silva é de opinião que uma das duas propostas virá a ser aceite, o que poderá significar que a produção de fósforos em Portugal possa ainda ver uma luz ao fundo do túnel.

Quantos aos trabalhadores, para já, estarão desempregados, mas, se uma das tais propostas for para a frente, poderão ainda regressar ao trabalho, embora sob as ordens de uma outra Administração que não esta.

E, claro está, noutro local, já que os três quarteirões onde estão situadas as instalações da Fosforeira, no centro de Espinho, muito valiosos em termos imobiliários, terão, com certeza, um destino bem diferente daquele que viveu durante 80 anos

quarta-feira, setembro 06, 2006

Moda infantil vai animar a Rua 23

Moda infantil vai animar a Rua 23


Depois de amanhã, a Rua 23, da cidade Espinho, vai servir de palco a um desfile de moda infantil.O evento em causa é organizado pela loja "Caramello" e insere-se na inauguração do seu novo espaço comercial em Espinho.

A artéria da cidade vai acolher modelos e espectadores. Os recentes manequins vão apresentar a nova colecção Outono/Inverno de várias marcas, todas elas à venda na "Caramello".

Roberto Cavalli, Miss Sixty, Energie, Diesel, Replay, Moschino, Killah, Elle, Guess, Grant, Gant, John Richmond, Parrot, Mona Lisa, Donna Karan e Dolce & Gabanna são alguns dos nomes das marcas e estilistas que apresentam as suas colecções neste desfile.

A "Caramello", além do desfile, vai também proporcionar um momento bastante diferente, sendo este também protagonizado pelos mais novos. Os presentes na festa de inauguração da loja poderão ainda assistir a um pequeno espectáculo de ballet

quinta-feira, agosto 31, 2006

Aeródromo sem culpa no incidente


Aeródromo sem culpa no incidente


Jorge Pinhal, presidente do Aeroclube da Costa Verde, concessionário do Aeródromo de Paramos, em Espinho, argumenta que não se podem retirar ilações sobre a segurança a propósito do incidente ocorrido na tarde de segunda-feira passada, que envolveu um ultraleve obrigado a aterrar fora da pista devido a uma avaria. O dirigente explica que, mesmo que a pista estivesse vedada, o que ainda não acontece, a aterragem forçada, neste caso, no areal da praia ali próxima, aconteceria da mesma forma.

"O incidente nada teve a ver com o aeródromo. Podia ter acontecido em qualquer lugar, já que se tratou de uma avaria no aparelho. O que se pode dizer acerca do assunto é que ninguém ficou ferido, e isso é que é o mais importante. Aliás, nem sequer o aparelho ficou danificado", esclareceu.

A aterragem forçada do ultraleve, a bordo do qual viajavam dois pilotos, um dos quais instrutor, ocorreu cerca das 15.30 horas, no areal da praia de Paramos, perante a surpresa geral dos banhistas e veraneantes.

Segundo uma testemunha do incidente, Paulo Soares, o ultraleve foi depois rebocado por um tractor até ao aeródromo, numa operação que terá demorado mais de uma hora.

Outras testemunhas ouvidas pelo JN relataram que o "reboque" do ultraleve pela estrada junto ao quartel do Regimento de Engenharia n.º 3 causou algum transtorno aos automobilistas que ali circulavam e que não se coibiram em proferir insultos e até ameaças verbais.

Actualmente, a pista do Aeródromo de Paramos está reduzida a apenas 250 metros, isto depois de ter estado quase um ano interdita após o acidente entre um avião e um automóvel que circulava na estrada que atravessa a pista e que provocou a morte do piloto e do automobilista.

A tal pista de 250 metros, para uso exclusivo de utraleves, foi aberta recentemente, com o acordo do INAC

terça-feira, agosto 29, 2006

Fiscalização invade feira e apreende 400 mil euros



Fiscalização invade feira e apreende 400 mil euros


Agentes do corpo de intervenção vedaram o acesso ao recinto e garantiram segurança da operação


Hugo Silva, J. Paulo Coutinho

Fiscalização invade feira e apreende 400 mil euros

s dez carrinhas do Corpo de Intervenção da PSP chegaram à Avenida 24 quando faltavam poucos minutos para o meio-dia. Ainda a multidão se perguntava o que se passava e já os agentes - a maioria com gorro na cara e armada de metralhadora - entravam, em passo de corrida, no recinto da feira semanal de Espinho. Logo atrás, as 70 brigadas da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). No total, mais de 265 elementos.

Durante cerca de duas horas o espaço onde se concentram os vendedores de etnia cigana foi vedado, possibilitando uma mega-operação de fiscalização. Resultado foi apreendido material no valor de 400 mil euros a 100 operadores, 50 dos quais foram identificados e deverão ser constituídos arguidos no âmbito dos inquéritos criminais relativos aos ilícitos de contrafacção e usurpação.

Roupa, calçado, perfumes, relógios, óculos, material audiovisual e marroquinaria diversa seguiram nas carrinhas da ASAE. Muitas bancas ficaram completamente vazias. A revolta tomou conta dos comerciantes, mesmo dos que não viram qualquer peça apreendida. "Por uns pagam os outros. Quem não vende contrafeito também sofre. Impedem os clientes de entrar e, assim, prejudicam os inocentes", criticou um vendedor. "Por que é que não fazem isto logo à entrada da feira, quando as pessoas descarregam?", questionou.

"Tem algum jeito fazer isto em Agosto, nas férias, com tanta gente, incluindo crianças, na feira? Fizessem a fiscalização lá fora! E só vêm aos ciganos? No outro lado da feira também vendem marcas [material falsificado]. Isto é discriminação", indignou-se, também, Hélder Lúcio, que desesperava por ver os clientes impedidos de aceder ao espaço onde tinha a banca.

"Era escusado. É muita polícia para uma feira só. Andam aqui muitas crianças, que ficam assustadas. E as pessoas que vêm comprar pensam que é outra coisa e até fogem", lamentou outra vendedora, queixando-se, ainda, do facto de não poder ir almoçar. "Deixam-nos sair daqui, mas depois não nos deixam entrar", explicou.

Entre palavras de indignação dos vendedores, os inspectores da ASAE confiscaram tudo o que era material falsificado ou do qual os feirantes não apresentavam a respectiva factura. Numa carrinha estacionada no interior do recinto, junto a uma das bancas de venda, foi encontrado um estojo recheado de relógios alegadamente "topo de gama". A Polícia encontrou, ainda, um veículo ligeiro de mercadorias que constava para apreender, por ordem judicial.

A confusão que entretanto se instalou naquela parte da feira semanal de Espinho não impediu, contudo, que o negócio prosseguisse. Se houve clientes que se assustaram com o aparato policial, muitos continuaram a fazer as compras sem grandes preocupações.


Nem os inspectores afastam interessados

Nem com a banca a ser esvaziada pela ASAE as pessoas se apercebiam que a hora não era a mais indicada para transacções comerciai s vasculhavam entre o material e tentavam saber o preço para comprar. E uma mulher chegou mesmo a tentar ver se nos sacos das apreensões havia alguma coisa em conta...



Miúdos aproveitam a oportunidade

Com a confusão que se instalou junto das bancas, alguns miúdos vislumbraram uma oportunidade para lucrar alguma coisa e deitaram a mão a algumas peças de roupa. Um deles envergava quatro camisolas, umas por cima das outras. A "esperteza" era traída pelo tamanho - pareciam vestidos - e pelas etiquetas à mostra...



Material apreendido



deverá ser destruído

Segundo a PSP, o material apreendido deverá ser declarado perdido a favor do Estado e, posteriormente, destruído