sexta-feira, abril 27, 2007

Congresso Mundial de Folclore abre com críticas



Congresso Mundial de Folclore abre com críticas
josé mota

Congresso Mundial de Folclore termina no próximo domingo


Natacha Palma

Asessão solene de abertura do Congresso Mundial de Folclore, anteontem, no Centro Multimeios de Espinho, ficou marcada pelas críticas contra o Governo e a Comunicação Social pela falta de apoio e atenção em relação ao folclore.

O presidente da Câmara de Espinho, José Mota, apontou o dedo aos diversos governos, a quem acusou de olhar o folclore "com olhos vesgos". "O folclore é um dos principais sectores culturais do país, onde movimenta, de forma directa, cerca de meio milhão de pessoas, mas arrasta milhares de outras. No entanto, ainda nenhum governo olhou o folclore com atenção, porque se o tivesse feito, facilmente percebia a importância que teria para o próprio Poder Político".

"Falta de atenção"

Por sua vez, o presidente da Federação do Folclore Português, Fernando Ferreira, não ficou atrás nas críticas, dizendo-se magoado com a ausência de representantes do Governo Central e, sobretudo, do Ministério da Cultura na sessão solene. De salientar que, em representação da Rússia, esteve presente o próprio ministro da Cultura daquele país.

O presidente da União Internacional das Federações dos Grupos Folclóricos, o italiano Lillo Alessandro, disse também lamentar a falta de atenção dedicada ao folclore, "um movimento que consegue afastar tantos jovens do Mundo da droga e da delinquência" e que, só por isso, merecia outro apoio.

Fundos para nova sede

No que respeita a apoios, César de Oliveira, representando a Câmara de Gaia, aproveitou o momento para apelar aos diversos autarcas do país para que contribuam para a construção da nova casa da Federação do Folclore Português, sediada em S. Félix da Marinha, argumentando que o movimento do folclore deve ser visto como desígnio nacional.

Várias vezes apontado como um movimento que une os povos nas suas diferenças e riquezas culturais, os diversos intervenientes na sessão solene chamaram ainda a atenção para o papel do folclore na luta pela paz.

Quanto ao congresso em si, este ano sob o tema "Homens e mulheres dos grupos de folclore unem esforços, cruzam olhares no entendimento, na defesa e na preservação da identidade dos povos do Mundo", e que decorre na nave polivalente de Espinho, termina no domingo com uma romagem ao santuário de Fátima

terça-feira, abril 10, 2007

Aeródromo de Paramos coloca aves em risco




Aeródromo de Paramos coloca aves em risco





A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) protestou, em comunicado, contra o alargamento da pista do aeródromo de Paramos, em Espinho, considerando que "a conclusão do alargamento da pista e a regularização da passagem de aeronaves a baixa altitude pela lagoa de Paramos /barrinha de Esmoriz, aumentará, provavelmente de forma irrecuperável, a pressão sobre um ecossistema frágil e único na costa situada entre a Ria de Aveiro e o Estuário do Minho".

A designação daquela área como IBA (do inglês Important Bird Áreas) foi proposta pela SPEA, sendo as IBA locais com significado internacional para a conservação de aves à escala global.

Neste caso, um dos critérios que levou à designação da zona como IBA foi o facto de ali nidificarem quatro espécies de aves ameaçadas a garça-vermelha; a águia-sapeira; o garçote e o pernilongo.

A SPEA alertou, igualmente, para o facto de o alargamento ir reduzir, se não mesmo eliminar, o turismo de Natureza do local, referindo que se realizam inúmeras visitas de observação de aves organizadas por associações como a própria SPEA, a Quercus e o FAPAS. A área é também procurada para actividades de escolas secundárias e várias associações locais de defesa do Ambiente.

A SPEA lamentou que a vedação que está a ser erguida numa extensão de 200 metros constitua um "branqueamento oficioso da situação ilegal criada em 2004", concluindo que o Aeroclube da Costa Verde, concessionário do aeródromo, deve assumir a renaturalização da área em causa.

Estas críticas surgem depois de o Bloco de Esquerda também se ter insurgido contra o alargamento da pista

domingo, abril 01, 2007

José Mota arguido no caso das mortes no aeródromo




José Mota arguido no caso das mortes no aeródromo
j. paulo coutinho

Acidente na pista do Aeródromo de Paramos aconteceu em Junho de 2005 e causou dois mortos


Nuno Miguel Maia

O presidente da Câmara Municipal de Espinho, José Mota, vai ser constituído arguido no caso das duas mortes resultantes de um choque entre uma avioneta e um automóvel no Aeródromo de Paramos, ocorrido ao início da noite de 26 de Junho de 2005. José Mota é uma das três pessoas que irão ser ouvidas por um juiz de instrução criminal, no próximo dia 11 de Abril, no âmbito da fase de instrução que está a decorrer no Tribunal de Espinho.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, além do líder da Autarquia serão também interrogados como arguidos aquele que, na altura do acidente, era responsável pelo pelouro de Transportes e Comunicações da Câmara de Espinho, Manuel Ferreira Rocha, e o presidente da Direcção do Aeroclube da Costa Verde, Jorge Pinhal Neto.

A decisão de ouvir estes três responsáveis não implica a obrigatoriedade de haver julgamento. No final desta fase, o juiz pode optar por manter o caso arquivado ou originar uma acusação formal para submeter a julgamento.

Este inquérito relativo ao acidente foi inicialmente arquivado pelo Ministério Público (MP) de Espinho, com base na inexistência de indícios de crime. O procurador responsável considerou que poderia haver responsabilidade da Autarquia, mas que ela deveria ser aferida no "âmbito da responsabilidade extra-contratual ou mesmo pelo risco" - ou seja, no âmbito de um tribunal administrativo -, dado que a "omissão de sinalização de determinado troço de uma via pública" é um "acto de gestão pública".

Todavia, a família do jovem que morreu ao volante do automóvel não se conformou com esta visão do MP e, na qualidade de assistente no processo, requereu abertura de instrução. Argumenta que o caso comporta indícios de crime de violação de regras técnicas, por inobservância de cautelas e condições de segurança no local, ou, até, de homicídio por negligência, pela conduta omissiva.

Como presumíveis culpados, a família aponta para a responsabilização dos responsáveis autárquicos e para os responsáveis pela certificação do aeródromo desde 1999 até Junho de 2005. É que, em 1999, um relatório da ANA (Aeroportos e Navegação Aérea) recomendava a implementação de medidas urgentes para assegurar a segurança na pista de Paramos. Que, afinal, não terão sido concretizadas.

Neste âmbito, o Tribunal de Espinho optou ainda por nomear para o processo três peritos da ANA. Após o acidente, a pista ficou interdita a avionetas de maior porte e passou a ser autorizada apenas a ultraleves. Só agora, passados quase dois anos do acidente que vitimou o condutor e o piloto da avioneta, é que a pista vai ser vedada completamente, tal como noticiou o JN. A obra custará 56,5 mil euros e é comparticipada pelo Estado.


Falta de sinalética, segundo a DGV

Um relatório da Direcção-Geral de Viação (DGV) junto ao processo-crime conclui que a via de acesso ao aeródromo caracterizava-se pela ausência de material reflector e de sinais que alertassem para o perigo iminente no local.



Sem causa-efeito entre acidente e falta de sinais

No arquivamento, o Ministério Público apoiou-se no argumento de que não houve causalidade adequada entre o acidente e a omissão dos responsáveis das entidades públicas. "Deverão excluir-se, pois, todos os processos causais atípicos que só produzem o resultado decido a um encadeamento extraordinário e improvável de circunstâncias. O que parece ter sido o caso", escreveu o procurador no despacho de arquivamento.



Infracção de regras punida até seis anos

O crime de violação de regras técnicas, citado no Código Penal como "infracção de regras de construção, dano em instalações e perturbação de serviços" é punível com até seis anos e oito meses de prisão, em caso de morte. O homicídio por negligência simples é punível com cadeia até três anos

sábado, março 31, 2007

Estação já foi abaixo!



Estação já foi abaixo!

A estação de caminhos-de-ferro de Espinho foi completamente demolida na madrugada da quinta-feira passada, depois da passagem do último comboio na linha do Norte. As máquinas, em pouco tempo, destruíram aquela que era considerada a estação de comboios mais fotografada e que, em breve, irá ser substituída por um moderníssimo edifício mais a sul, junto ao Hotel Nery e ao Edifício das Palmeiras.
As máquinas continuaram o trabalho no dia seguinte, procedendo à separação de materiais e ao longo da semana retiraram todo o entulho que ficou do velho edifício.
Esta semana, procedeu-se ao enchimento com terra da passagem subterrânea de peões e já foram destruídas as paredes onde se encontravam os azulejos com os temas de Espinho antigo.
As máquinas continuam, por agora, a fazerem o emparedamento com 2.80 metros de largura, para depois, começarem as escavações.
Junto à passagem-de-nível da rua 23, já se vêm os espessos muros numa fase em que a obra se encontra no centro, junto ao Casino de Espinho e Hotel Praiagolf.
Entretanto, como nos revelou o engenheiro responsável pela REFER, Nunes Marques, ainda antes do Verão a passagem superior para automóveis (pontão) deverá ser cortada ao trânsito para que a obra posso prosseguir para norte.


7mares

Os azulejos da passagem subterrânea 2007

Fotos Direitos Reservados


quinta-feira, março 29, 2007

Aeródromo vedado dois anos após choque mortal



Aeródromo vedado dois anos após choque mortal
j. paulo coutinho

Acidente na pista marcou necessidade de vedar aeródromo


Natacha Palma

Oaeródromo de Paramos, em Espinho, está finalmente a ser vedado. Isto quase dois anos depois de, a 26 de Junho de 2005, um acidente entre um avião e um carro que circulava na rua que atravessava a pista e que ainda é o único acesso ao aglomerado populacional da praia de Paramos, ter resultado na morte do piloto e do automobilista. O acidente fez com que a pista fosse interdita pelo Instituto Nacional de Aviação Civil. No entanto, algum tempo depois, e após a zona junto à dita estrada ter sido vedada com um cordão de terra e a pista ter sido reduzida a 250 metros, o aeródromo pôde passar a ser utilizado por ultraleves, isto enquanto não fosse vedado de forma definitiva a fim de garantir a segurança de pilotos e automobilistas.

"Compromisso nacional"

A obra agora em curso, financiada pelo Governo, nomeadamente pela Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, no âmbito da medida 1, "Saúde e segurança nas instalações desportivas", da iniciativa "Um compromisso nacional", deverá estar concluída dentro de uma semana. Para já, no local, apenas se vêem estacas de cimento que deverão suportar uma vedação metálica e plástica. Procede-se, também , à terraplanagem da área envolvente, junto à estrada, trabalhos a cargo dos militares do Regimento de Engenharia nº 3 de Espinho.

O custo total da obra ronda os 56,5 mil euros, sendo o montante financiado de cerca de 21 mil euros, isto embora o valor disponibilizado não ultrapasse os 10,5 mil euros, ou seja, menos de um quinto do valor total da empreitada. Contactado o presidente do Aeroclube da Costa Verde, concessionário do aeródromo, Jorge Pinhal, este recusou-se a fazer quaisquer comentários sobre a dita obra.

Prolongamento "à socapa"

Já Vítor Solteiro, deputado municipal do Bloco de Esquerda, denunciou que parte da pista que agora está ser vedada nasceu após um prolongamento de 200 metros para Sul "feito à socapa e a toda a pressa", em 2004, nas imediações da lagoa de Paramos /barrinha de Esmoriz, em zona de reserva natural integrada na Rede Natura 2000 e na Reserva Ecológica Nacional.

Segundo Vítor Solteiro, as obras de alargamento da pista foram levadas a cabo com meios logísticos da Câmara de Espinho, da empresa FDO e do Regimento de Engenharia.

Ouvido pelo JN, o presidente da Junta de Paramos, Américo Castro, garante que, por um lado, a pista nunca foi alargada a Sul (e por alargamento da pista entende que se trataria de asfaltamento, o que não aconteceu), e que a Câmara nunca poderia estar envolvida já que se tratam de terrenos onde não tem jurisdição, cabendo esta ao Ministério da Defesa.

terça-feira, março 27, 2007

Linha do Norte cortada após rebentamento de conduta



Linha do Norte cortada após rebentamento de conduta
lisa soares

Escavações no âmbito do enterramento da linha férrea de Espinho causaram aluimento de terras


Natacha Palma

O rebentamento de uma conduta de água localizada junto à passagem de nível da Rua 23, em Espinho, obrigou ao corte da passagem de comboios na via ascendente da Linha do Norte durante cerca de duas horas. Tal situação levou a que toda a circulação ferroviária entre o Porto e Lisboa fosse afectada, já que apenas a linha descendente esteve activa, obrigando a atrasos que chegaram aos 45 minutos. O incidente deu- -se cerca das 9.30 horas e teve por causa o movimento de terras decorrente de trabalhos naquela zona no âmbito da obra de rebaixamento da linha férrea.

Tais escavações levaram ao descalçamento da conduta que vergou e se rompeu. Enquanto não foi cortada, a água fez com que o chamado balastro (terra e cascalho) onde assentam os carris afundasse. E, embora a situação se circunscrevesse a uma muito pequena área, foi o suficiente para que a via fosse cortada à circulação.

Os trabalhos decorreram durante cerca de hora e meia, tendo sido colocado novo balastro na área afectada.

Apesar de o incidente não ter ocorrido em hora de ponta e dos estudantes estarem já a gozar as férias da Páscoa, ainda assim foram várias centenas de pessoas que se sentiram afectadas pelos atrasos. Por exemplo, os passageiros do comboio que partiu de Porto, de S. Bento, às 10.20 horas, com destino a Ovar, foram obrigados a sair na estação da Granja e a esperar cerca de 40 minutos por um novo comboio.

E enquanto esperavam andaram a saltar de plataforma em plataforma, a maioria passando a pé por entre as linhas. "Viemos do Porto e o comboio ficou estacionado na linha 3. Como vimos um comboio na linha 2, pensámos que era o que iria para Espinho e por isso toca a ir para a outra gare. Como estava muita gente a dirigir-se para uma única passagem pedonal, com medo de perdermos o comboio, toca a passar pelas linhas", explicou Rosa Rodrigues.

"O mais caricato é que, depois de o nosso comboio sair da linha 3 para voltar ao Porto, o tal outro comboio também foi para a linha 3. Quando disseram que era aquele comboio que tínhamos de apanhar, lá voltámos nós a passar para o outro lado. Vistas bem as coisas, podia ter-se dado ali um acidente bem grave caso passasse um comboio rápido", explicou

segunda-feira, março 26, 2007

Estação da CP passou à história



A estação ferroviária foi varrida do mapa da cidade Espinho, ao cabo de 133 anos de existência

A o fim de 133 anos a estação de caminhos-de-ferro de Espinho foi reduzida a escombros em nome de uma obra que, se tudo correr conforme o previsto, irá também esconder a passagem dos comboios do centro da cidade, modificando para sempre a imagem de uma terra que nasceu e se desenvolveu voltada para a linha férrea.


Talvez por isso mesmo, sejam tantas as memórias ligadas à estação, aos comboios e até à antiga passagem pedonal superior, a velha passarela de madeira há muito demolida. Memórias que, apesar da imagem de Espinho estar definitivamente a mudar, dificilmente serão esquecidas, tanto por novos, como por velhos. Muitos não hesitam em considerar que a estação poderia ter sido poupada e transformada, quem sabe, num espaço museológico, ligado à cultura ou ao turismo.

"Parecia que era a minha própria história que estavam a querer fazer desaparecer quando deitaram abaixo a estação. Foi feito tudo tão depressa, como se fizessem questão de não acordar uma só pessoa. Aquilo foi vruum, vruum, e de repente, em menos de duas horas, já não havia estação", contou José Fonseca, de 52 anos, empregado de comércio.

"Vivi sempre em Espinho e fui, na infância, quase um menino de rua. Sempre que podia, escapava de casa para andar na brincadeira e um dos meus passatempos preferidos, teria eu uns seis anitos, era colocar-me na passarela a ver os comboios a vapor a passar por baixo. Adorava sentir o cheiro do fumo",conta.

Com 30 anos, João Miguel Sousa, empregado de um vídeo-clube, por sua vez, nunca mais esqueceu o dia em que o papa João Paulo II passou de comboio por Espinho. "Eu era pequeno, teria uns cinco ou seis anos, e estava lá no meio da multidão de gente que foi tentar ver o papa. O comboio abrandou e nós vimo-lo a acenar. Teve que ver… Toda a gente a dizer-lhe adeus. Foi muito bonito. Nunca mais esqueci essa imagem", recordou.

Lurdes Guimarães, de 83 anos, também não esquece as muitas horas românticas que passou na estação com o marido, então ainda namorado, enquanto esperava o comboio para a Granja, onde ainda vive. Mas, nem todos os momentos foram felizes. Lurdes Guimarães recorda um certo domingo de festa da Nossa Senhora da Ajuda quando, depois de ter andado a passear com as amigas, se desencontrou do pai que a esperava na estação. Passava da meia-noite e aquele que pensavam que seria o último comboio já havia partido.

O pai, furioso, quando a viu chegar, deu-lhe uma bofetada à frente de toda a gente com tal força que a fez cair em cima de uma poça de água. "Fui a chorar até casa e durante muito tempo não lhe perdoei apesar dele me pedir desculpa todos os dias. O mais engraçado da história é que, por causa disso, no dia a seguir à cena, um rapaz que gostava muito de mim na altura veio ter comigo e disse-me que, se eu quisesse, me raptava nessa mesma noite. Eu, claro, não aceitei", contou Lurdes Guimarães, entre risos

terça-feira, março 20, 2007

Passagem-de-nível da Rua 23 alterada





Estação
perto do fim
A5 obras de enterramento da linha-férrea vão tendo novos desenvolvimentos e, conforme anunciamos na nossa anterior edição, o fim do edifício da estação está para muito breve. A demolição deverá estar agendada para estes próximos dias, logo após a entrada em funcionamento da estação provisória instalada em edifício pré-fabricado, a norte.
Qs técnicos procedem, agora, também, à instalação de condutas em frente ao Centro Comercial
Solverde 1.
As obras (escavações) já chegaram à passagem inferior para peões e na Rua 23, já está construída a passagem-de-nível provisória, uns metros para sul, de forma a que se possam prosseguir com as obras no local onde se situava a anterior passagem de automoveis. Uma pequena obra realizada em, apenas, dois diasl

sábado, março 03, 2007

Estação ferroviária vai ser demolida até ao fim do mês



Estação ferroviária vai ser demolida até ao fim do mês


Estação de Espinho começa a ser desmantelada no dia 19, 132 anos depois de ter sido inaugurado


Natacha Palma Artur Machado

Aestação ferroviária de Espinho vai ser demolida durante a segunda quinzena deste mês, estando previsto que os trabalhos se iniciem no dia 19 e estejam concluídos a 30. Colocada de lado a técnica de implosão, o edifício começará a ser desmembrado a partir de cima, ou seja, do telhado. Retiradas manualmente todas as "peças" possíveis, só então entrarão em campo máquinas próprias que acabarão por deitar por terra o centenário edifício.

Entretanto, já está a ser montada aquela que irá ser a estação provisória até que a obra de rebaixamento da linha férrea esteja concluída (as previsões apontam para o primeiro trimestre de 2008). Trata-se de uma estrutura composta por vários contentores que está a ser montada a cerca de 100 metros a norte da actual estação.

O "novo" edifício de passageiros contará com todos os serviços normais, ou seja, bilheteiras e máquinas automáticas de compra de bilhetes. Além disso, contará ainda com um átrio que servirá de sala de espera.

Atravessamento normal

A demolição do edifício da estação não porá em causa de forma alguma o atravessamento da linha naquela zona, já que continuarão a existir passagens pedonais de uma gare para a outra.

Quanto ao quiosque situado mesmo em frente à estação, também mudará de lugar, desta feita para a plataforma que vai nascer junto à tal estação provisória.

De referir que a obra de rebaixamento da linha ganha, a cada dia que passa, maior "peso" no centro da cidade, com todos os inconvenientes que isso acarreta, nomeadamente na circulação de pessoas e veículos. A obra, que parece estar a decorrer em velocidade cruzeiro, ocupa, agora, praticamente toda a extensão da zona a ser intervencionada, tanto a sul como a norte, estando já muito perto do campo de futebol do Rio Largo que, no fim, irá ficar cortado a meio pela linha de caminho-de-ferro.

No que respeita a mudanças no trânsito, o próximo Verão afigura-se, no mínimo, confuso, já que o tráfego irá ser cortado no pontão existente a norte da cidade, uma via usada pelos automobilistas que se dirigem à zona balnear sem ter de ir ao núcleo duro da cidade onde têm de enfrentar vários semáforos.

De salientar que, antes disso, irá ser criada uma passagem de nível na Rua 15, de forma a colmatar o fecho do viaduto ao trânsito.

O pontão, acabará, também ele, demolido, já que deixará de ser necessário, mas só mais para o final da obra.

Trilhos ajudaram estância balnear

Segundo Armando Bouçon, técnico superior de História da Câmara Municipal de Espinho, quando a Linha do Norte foi aberta, Espinho não foi contemplado com estação, nem sequer apeadeiro, sendo os veraneantes obrigados a sair nas duas estações mais próximas, ou seja, na da Granja e na de Esmoriz. Mais tarde, a casa da guarda foi transformada em apeadeiro, mas só em 1873 é que o projecto da estação começou a tornar-se realidade, acabando por ficar concluída em 1874. Apesar de já estar a ser usada, a estação foi inaugurada um



ano depois, a 17



de Setembro de 1875. Foi a partir daí que a praia "ganhou o estatuto de afamada estância balnear", atraindo mais população, indústrias e comércio.

sábado, janeiro 13, 2007

O fim do Bairro de Paramos

O fim do Bairro de Paramos





Natacha Palma, Artur Machado

No passado dia 5 de Novembro, houve missa na Capela de S. João e de Senhora da Aparecida, no Bairro da Praia de Paramos, em Espinho, situada numa espécie de promontório frente ao mar, com pedras a servir-lhe de calço. Foi um dia de temporal. As palavras do pároco eram praticamente abafadas pelo som das ondas a bater contra as rochas, descalçando o edifício quase centenário. A capelinha abanava por todos os lados. "É desta", pensaram muitos.

A população do bairro, constituído por edifícios construídos clandestinamente em zona de domínio público marítimo, há muito que vive "habituada" a ter o mar a bater-lhe à porta. Não é por acaso que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) prevê a retirada da povoação, onde vivem cerca de 500 pessoas.



E outra hipótese não é, para já, colocada. Segundo Veloso Gomes, especialista em Hidráulica e Defesa Costeira e coordenador dos estudos para a Estratégia Integrada de Gestão da Zona Costeira, não existe qualquer projecto para defesa daquela zona costeira. "Claro que se houvesse uma situação de emergência em que a população estivesse em risco iminente, algo teria de ser feito, mas a prioridade passa pela retirada da população", explicou.

O problema é que a comunidade não está pelos ajustes. Com raízes muito vincadas, não aceita com facilidade viver noutro local. Aliás, algumas das cerca de 40 pessoas que foram realojadas há sete anos pela Câmara de Espinho no complexo habitacional da Quinta de Paramos voltaram para o velho bairro.

Por outro lado, sabendo o risco que corre, a população há muito que reivindica por obras de defesa e até acredita que elas irão ser feitas. Américo Castro, presidente da Junta de Freguesia de Paramos, garantiu ao JN que tem indicações nesse sentido de que o POOC o prevê. "São seres humanos que ali vivem e enquanto não for encontrada uma solução viável para o seu realojamento há que fazer obras que os protejam dos ataques diários do mar", afirmou. "Se não for por nós, será pelo menos para defender a ETAR (construída em plena duna há cerca de 15 anos), que estão agora a ampliar", explicou um empresário local.

Mas não será bem assim. Segundo Veloso Gomes, a ETAR está defendida por um esporão a sul, além de que, há cerca de dez anos, foi construída uma duna artificial frente ao equipamento. Quanto à população, pouco ou nada existe a defendê-la. "E quando as ondas conseguirem finalmente abalroar a capela, a povoação, situada a uma cota mais baixa, vai ser invadida pelo mar", vaticinou Veloso Gomes.

Da parte da Câmara, o vice-presidente, Rolando de Sousa, admite que a questão é complexa e por isso mesmo só poderá ser resolvida através de um "desígnio nacional". "A Câmara não tem meios próprios para realojar toda aquela população", concluiu.

"O mar está-lhes no sangue"

O Bairro da praia de Paramos existe há cerca de um século, altura em que pescadores de Ovar ali construíram palheiros onde guardavam o gado que arrastava as redes de pesca depois da faina realizada ali ao largo. Com o tempo, os pescadores instalaram-se de vez no local, construindo novos palheiros. Os palheiros deram lugar a casas de madeira que, mais tarde, há cerca de 80 anos, foram "forradas" a tijolo e as tábuas retiradas. "As pessoas que lá vivem são, na maioria, descendentes dos primeiros pescadores, transformando aquela comunidade numa grande família", explicou Américo Castro. "Não é por acaso que não querem sair de lá. O mar está-lhes no sangue e nunca poderão ser afastados dele. Qualquer solução que tenha se ser encontrada para os realojar, tem de ser perto da praia, a não mais de 500, 600 metros, ou nunca será possível convencê-los a sair dali", concluiu o autarca

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Um dia em..ESPINHO






Espinho (ESP) é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Aveiro, à Região Norte e à Área Metropolitana do Porto, com 9 832 habitantes no seu perímetro urbano (2011).

É sede de um pequeno município urbano, com 21,06 km² de área e 29 547 habitantes (2017),[2] subdividido em 4 freguesias.[3] O município é elo município de Vila Nova de Gaia, a leste por Santa Maria da Feira, a sul por Ovar e a oeste pelo Oceano Atlântico.



Em 17 de agosto de 1899 foi criado o concelho de Espinho. Os valores dos censos de 1864, 1878 e 1890 resultam da soma dos habitantes das freguesias que depois vieram a constituir este concelho.

Já em tempos do domínio romano na região existia um castro, o chamado Castro de Ovil, povoação referenciada pela primeira vez num documento de 1013, que assentava numa pequena colina de forma circular rodeada por um fosso a Norte e Nascente e por uma ribeira a Sul e Poente, que actualmente se encontra na Freguesia de Paramos.

Há cerca de 200 anos a zona de Espinho começou a ser utilizada para a pesca, ainda de forma sazonal. Esses primeiros ocupantes não construíram habitações, permanecendo na costa apenas durante a companha, para regressar à terra de origem no inverno, quando a violência do mar impossibilitava a pesca em segurança.

A fixação da população começou a fazer-se por volta do ano de 1776 (o concelho foi criado apenas em 1899, por desmembramento de Santa Maria da Feira), quando surgiram as primeiras habitações (os palheiros), feitas em madeira com os telhados revestidos com terra. A transição da madeira para a pedra ocorreu lenta e gradualmente e passou por uma fase intermédia, em que os palheiros, ainda de madeira, ostentavam uma fachada principal em pedra e cal.

Mais tarde, muitas destas habitações seriam adquiridas e transformadas, por famílias de posses, dando origem à colónia balnear de Espinho. Em menos de meio século, Espinho iria tornar-se numa das zonas de eleição do Norte de Portugal.

A devoção religiosa das pessoas da região levou à edificação, ao longo dos séculos, de diversos monumentos espalhados pela cidade e arredores. A Igreja Matriz dedicada a N.ª Senhora da Ajuda é exemplo disso; construída em 1930 segundo projecto do arquitecto Adães Bermudes, tem sabor revivalista, que procura conciliar com as necessidades contemporâneas.

Hoje Espinho é uma cidade moderna, com importante atividade turística, acolhendo ao longo do ano milhares de visitantes nacionais e estrangeiros. Para isso foi importante o fator clima (baixa amplitude térmica: 23 °C no Verão e 12 °C no Inverno) e os atrativos naturais e culturais (praia, paisagem, património, espetáculos, etc.), mas também a fácil acessibilidade (por via férrea e rodoviária), a proximidade do Porto e do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e a circunstância de se ter tornado numa concorrida zona de jogo.

Espinho é uma cidade conhecida pela sua feira centenária, gastronomia, potencial nas áreas do turismo e lazer, e pelo seu Casino.

  • FEST ̶ Festival Novos Realizadores | Novo Cinema: é uma celebração única de novo cinema e de novos cineastas. É um festival de cinema anual multifacetado que decorre na última semana de Junho na cidade de Espinho. Em 2018, o FEST chega à sua 14ª edição que terá lugar entre os dias 18 e 25 de Junho de 2018.
  • Feira semanal: É a maior feira semanal do país (e possivelmente da península ibérica), realizando-se todas as segundas-feiras, exceptuando alterações devidas a feriados. A realização da feira ocupa uma grande extensão da Avenida 24, desde o centro da cidade à freguesia de Silvalde, podendo-se aí encontrar uma grande variedade de produtos. São bem característicos da feira de Espinho a venda dos legumes e frutos de pequenos agricultores da zona, a venda do peixe pelas vareiras e o comércio dos ciganos, a que se juntam os tradicionais pregões.
  • CINANIMA : Festival Internacional de Cinema de Animação tem lugar todos os anos em Espinho, normalmente no mês de Novembro. O CINANIMA é um importante festival do cinema de animação a nível mundial. É organizado pela Cooperativa de Acção Cultural Nascente e pela Câmara Municipal de Espinho.
  • Festival de Música de Espinho: Criado em 1974, este festival de música clássica é organizado anualmente pela Academia de Música de Espinho com o apoio da Câmara Municipal.
  • Auditório de Espinho: Sala de concertos, teatro e dança e novo circo que faz parte da Academia de Espinho. Com uma programação mensal que aposta na variedade, inovação e qualidade. O AdE pretende assegurar anualmente uma produção cultural regular, que assente em produções próprias, co-produções e acolhimentos nos domínios musical, teatral, da dança e novo circo.
  • Centro Multimeios de Espinho: Iniciativas diversificadas e eventos culturais têm lugar no Centro Multimeios de Espinho, incluindo o CINANIMA. As pessoas interessadas em astronomia poderão assistir sessões no planetário, visitar a cosmoteca (biblioteca de astronomia) e participar em observações astronómicas que ocorrem regularmente.
  • Etapas dos circuitos mundiais de Surf e Vólei de Praia acontecem no Verão.
  • Festas populares: São João, São Pedro, São Martinho, Nossa Sr.ª do Mar, Nossa Sr.ª das Dores e Nossa Senhora da Ajuda.
  • Encontro de Homens-Estátua: Anualmente realiza-se no parque da cidade um dos maiores eventos deste tipo na Europa.
  • Feira dos " peludos": Realiza-se no primeiro domingo de cada mês. Vendem-se principalmente antiguidades variadas.

Transportes

A maior parte do concelho de Espinho encontra-se coberta por companhias de transporte privadas, como por exemplo UTC e a Auto Viação Feirense.[8]
Diversas auto-estradas garantem o acesso à cidade: A1A29 e A41.
CP tem a Estação Ferroviária de Espinho é uma interface da Linha do Norte e é o início da Linha do Vouga.[8]

Educação

A cidade de Espinho possui várias escolas, jardins de infância, ensino primário, básico e secundário. O Parque Escolar de Espinho divide-se em dois agrupamentos, o agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira e o agrupamento de Escolas Dr. Manuel Gomes Almeida. Em relação ao Ensino Superior existiu até final de 2016 um Instituto Superior. Ainda existem várias escolas profissionais e escolas de Música.
Na cidade de Espinho estão em construção vários Centro Escolar:

Bibliotecas

A rede de bibliotecas de Espinho é constituída por uma Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva e 6 Bibliotecas Escolares.[12]

Fórum de Arte e Cultura e Museu Municipal de Espinho

O Fórum de Arte e Cultura de Espinho surgiu do projecto de reabilitação da antiga Fábrica de Conservas Brandão, Gomes & C.ª; trata-se de um espaço dedicado à investigação, ao desenvolvimento cultural e à prestação de serviços à comunidade, numa confluência entre conhecimento, formação, educação e lazer.
O Museu Municipal de Espinho ocupa o núcleo central da antiga fábrica. "Constitui-se como um espaço dinâmico, de interacção entre o passado e o presente [...]. A concepção museográfica integra três exposições permanentes: fábrica de conservas, arte xávega e bairro piscatório/operário. A funcionalidade do museu municipal passa, também, por uma galeria de exposições temporárias, pelo centro de documentação e investigação em história local e por um serviço educativo aberto às escolas e restante população".[13]

Centro Multimeios de Espinho

O Centro Multimeios de Espinho é um espaço polivalente, aberto à realização de reuniões, congressos e exposições. Inclui um auditório com cerca de 300 lugares, devidamente equipado com a mais moderna tecnologia de som e imagem, permitindo a realização de outros eventos, nas áreas do Cinema, Música, Teatro e Dança. Possui também um moderno Planetário. A Galeria do Centro é um espaço amplo, com 400 m², disponível para acolher propostas expositivas da comunidade artística.[14]

Nave Polivalente de Espinho

A Nave Polivalente de Espinho surge voltada para a dinamização desportiva e recreativa, tendo por objectivos a promoção e o desenvolvimento do concelho. Com uma área coberta de 11.000 m², este espaço foi concebido para grandes espectáculos desportivos e culturais, sendo altamente versátil e flexível.[15]

Auditório de Espinho

Integrado na Academia de Música de Espinho, o Auditório assegura uma produção cultural regular, que assenta em produções próprias, co-produções e acolhimentos en diversos domínios culturais (musical, teatral, dança, novo circo). Pelo seu contributo, tornou-se uma referência cultural a nível da cidade e da região. Tem como estrutura residente a Orquestra Clássica de Espinho e o Drumming-Grupo de Percussão.[16]

Piscina Solário Atlântico e Balneário Marinho de Espinho

Piscina Solário Atlântico de Espinho e o Balneário Marinho de Espinho são duas unidades interligadas pertencentes à Municipalidade de Espinho e situam-se à beira-mar.
A Piscina foi originalmente construída em 1942, por iniciativa particular, diga-se, do empresário Manoel Pinto Bizarro, segundo projeto de traçado modernista da autoria de Eduardo Martins e Manuel Passos (devido à sua elevada qualidade arquitetónica, o projeto está referenciado no Inquérito à Arquitetura do Século XX em Portugal [17]). Em 1960 a piscina passou a ser um equipamento da Câmara Municipal de Espinho. O complexo foi depois ampliado, passando a englobar o chamado Balneário Marinho, que incluía uma piscina coberta aquecida e um sector de tratamentos com água do mar e algas (Talassoterapia).[18]
Na década de 1990 as instalações foram alvo de renovação com projeto dos arquitetos Isabel Aires e José Cid, que procuraram manter a integridade dos aspetos mais relevantes da configuração da década de 1940 – fachadas exteriores, entrada inicial, bar, salão de festas, que foram cuidadosamente reabilitados. A piscina exterior foi totalmente reconstruída restando apenas a prancha de saltos original, tendo sido adotado um novo perfil, com uma profundidade menor e mais segura. A piscina é hoje constituída por dois planos de água, um destinado a crianças e outro a adultos. O Balneário Marinho foi integralmente remodelado e modernizado, nomeadamente a piscina coberta.