FEST anuncia foco na obra de Andrzej Wajda e primeiros nomes do programa de indústria
O FEST - Festival Novo Cinema, Novos Realizadores regressa a Espinho entre os dias 20 e 28 de junho deste ano.
O evento - que conjuga uma programação competitiva de cinema e um programa dedicado a profissionais e estudantes da indústria - aposta num programa que revista a obra de Andrzej Wajda, no ano em que se celebra o centenário do seu nascimento.
No campo competitivo é anunciado hoje o programa de curtas-metragens Grande Prémio Nacional, com uma seleção que revela o impacto do cinema português a nível mundial, reunindo obras de autores nacionais a trabalhar em Portugal e no estrangeiro, bem como de cineastas estrangeiros a operar em território nacional, seja como residentes ou em regime de coprodução. Já na parte profissional confirmam-se as presenças de Danis Tanovic, Harry Escott, John Warhurst, Nina Hartstone, Paul Davies e Pete Travis.
Be Kind Rewind: Andrzej Wajda
Figura central da chamada Escola Polaca, Andrzej Wajda foi também um dos principais responsáveis pela renovação estética e temática do cinema europeu do pós-guerra.
A sua obra construiu-se a partir de uma postura artística profundamente interventiva, encarando o cinema como um verdadeiro acto de resistência, consciência histórica e posicionamento político.
Ao longo da sua filmografia, Wajda utilizou personagens, enquadramentos simbólicos e narrativas históricas para criticar regimes autoritários e expor verdades silenciadas, estabelecendo frequentemente um diálogo direto com o presente.
Explorando temas como a ocupação nazi, o stalinismo, o desencanto socialista ou o movimento Solidarność (Solidariedade), transformou o cinema num espaço privilegiado de memória, reflexão crítica e confronto com o poder.
O alcance do seu legado ultrapassa, contudo, a dimensão estritamente artística: a fundação da Wajda School e da Wajda Studio tornou-se determinante para o desenvolvimento e afirmação contemporânea do cinema da Europa Central. A secção Be Kind Rewind do FEST 2026 dedica-lhe uma retrospectiva que integra a exibição de obras de referência como “A Generation”, “Man of Marble” e “Man of Iron”. O programa inclui ainda uma mostra de curtas-metragens desenvolvidas no contexto pedagógico da Wajda School, reunindo filmes como “Live”, de Mara Tamkovich, e “Stimulants & Empathogens”, de Mateusz Pacewicz, sublinhando a continuidade viva e influente do seu legado junto das novas gerações de cineastas.
Grande Prémio Nacional
Espaço de descoberta de uma nova geração de criadores, o Grande Prémio Nacional apresenta, em 2026, uma seleção de 22 curtas-metragens.
Entre os destaques, “A hora do Chico!”, de Rafael Sá Carneiro e João Severo, uma obra ousada que nos transporta para o período do Estado Novo através de um programa televisivo infantil.
Num registo tematicamente próximo, André Senra Azevedo apresenta “TGX”, um documentário sobre a explosão de conteúdo pornográfico e erótico no período pós-25 de Abril. Nota ainda para “Gonâve”, dos polacos Róża Duda & Michał Soja, uma coprodução da UKBAR protagonizada por Adriano Carvalho e Ivo Canelas, que nos leva até ao Haiti no final da década de 1920, durante a construção de um controverso projeto de infraestruturas que enfrenta forte resistência por parte da população local.
O GPN 2026 conta também com a presença de vários autores nacionais a operar além-fronteiras. Entre eles, Hugo Sousa, cineasta e ator espinhense há muito radicado em Los Angeles, que aqui regressa com uma obra marcada pelo humor negro, “Best Friends With The Devil”rograma Profissional com as primeiras confirmações
No programa de masterclasses, o FEST anuncia a vinda do realizador bósnio Danis Tanovic Vencedor do Óscar de Melhor Filme Internacional com o emblemático “No Man’s Land”, filme marcante sobre a guerra nos Balcãs, distinguido ainda com o prémio de melhor argumento no Festival de Cannes, Tanovic é também autor de “Death in Sarajevo” (Urso de Prata em Berlim) e “Episode in the Life of an Iron Picker” (Urso de Prata em Berlim).
De regresso ao festival estão Paul Davies e Pete Travis para orientar dois workshops no âmbito do Training Ground.
Está também fechado o painel do Sound & Music Hub, com foco no som e na música no cinema.
A ter lugar dia 24 de junho o mesmo recebe: John Warhurst - supervisor musical e editor de som, vencedor de um Óscar - com um “case study” do filme “Michael”, o biopic mais recente de Michael Jackson; Nina Hartstone com o “case study” de “O Monte dos Vendavais”, de Emerald Fennell; e Harry Escott - compositor distinguido com prémios BAFTA, BIFA e RTS que vai focar-se nas particularidades da composição para o filme “I See Buildings Fall Like Lightning”, a estrear no Festival de Cannes.
O Programa Profissional do FEST apresenta, este ano, uma novidade: a criação de um Actor’s Hub que se focará na criação de espaços formativos e discussões ligados com a carreira na representação.
O novo espaço junta-se aos já existentes, Sound & Music Hub e Director's Hub, sendo prova do trabalho do festival na especialização dos conteúdos direcionados a profissionais e estudantes do sector.
Mais novidades sobre estes espaços e o calendário do Training Ground - espaço de masterclasses com figuras de destaque na indústria do cinema mundial - serão revelados nas próximas semanas.


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