quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Operação Vórtex - Defesa de Miguel Reis diz que processo foi construído com base na confissão de Pessegueiro

 
Defesa de Miguel Reis diz que processo foi construído com base na confissão de Pessegueiro


A defesa de Miguel Reis, arguido no processo Vórtex, pediu hoje a absolvição do ex-presidente da Câmara de Espinho dos crimes de que está acusado, afirmando que o caso foi construído com base na confissão do empresário Francisco Pessegueiro.


"Conforme foi dito em alegações, e esperemos que o tribunal assim considere, a partir do momento em queele [Francisco Pessegueiro] confessou, deixou-se de procurar mais prova suplementar e fazer diligências suplementares", disse aos jornalistas o advogado André Domingues, à saída do Tribunal de Espinho, no distrito de Aveiro, onde decorrem as alegações do processo Vórtex.

Considerando que a acusação é baseada em pressupostos e interpretações que não são reais, o defensor de Miguel Reis deixou críticas à atuação do Ministério Público (MP), sobre a necessidade de acusar políticos, e à delação premiada, considerando que esta medida é um "fortíssimo incentivo à incriminação de terceiros, mesmo à custa da verdade".

"Não é normal que um arguido seja detido em prisão preventiva e que após prestar declarações, confessar parcialmente - e agora aqui altera a versão -, e a seguir vem para casa. 

Não é normal que determinados elementos que deviam ser constituídos arguidos naquela versão não sejam (...).

 Quer dizer, há aqui algumas coisas que não estão bem e que compete ao Tribunal apreciar e escrutinar", afirmou.

Durante as alegações, o advogado insistiu na tese de que este processo foi construído com base numa mentira, apelidando o empresário Francisco Pessegueiro de um "confesso mentiroso", porque "assumiu coisas que sabia que não tinha feito para sair da cadeia", como o próprio admitiu em julgamento.

"Foi-lhe prometido que se falasse, se confessasse, lhe aligeiravam as medidas de coação", disse o advogado, defendendo que o tribunal não pode dar credibilidade a este "depoimento mentiroso".

O advogado referiu-se ainda à existência de um acordo implícito entre o MP e Pessegueiro, que teve em vista poupar o pai, a mãe e a irmã. "

Não é plausível que estas pessoas não tenham sido acusadas", disse.

Miguel Reis é suspeito de ter pedido 50 mil euros a Francisco Pessegueiro, que só não terá recebido por mero acaso, para permitir decisões céleres e favoráveis nos processos urbanísticos da construtora Pessegueiro. 

A acusação sustenta ainda que o ex-autarca recebeu cinco mil euros e mobiliário para a sua casa, em troca deatos funcionais.

O ex-autarca, para quem o MP pediu uma pena entre os cinco e nove anos de prisão, está acusado de quatro crimes de corrupção passiva e cinco de prevaricação.

Ainda na parte da manhã, tiveram lugar as alegações da defesa de Álvaro Duarte, ex-chefe de Divisão de Obras Municipais da Câmara de Espinho, que pediu a absolvição do seu cliente e da sua empresa.

"Álvaro Duarte não cometeu qualquer dos crimes de que vem acusado", afirmou o advogado Guilherme Figueiredo, adiantando que o arguido "não solicitou nem recebeu qualquer vantagem patrimonial ou não patrimonial".

Além disso, referiu que a acusação não indica quais as normas funcionais que foram violadas, uma omissão que, na sua opinião, "constitui uma nulidade absoluta não sanável".

O processo Vórtex, que começou a ser julgado no Tribunal de Espinho em 05 de setembro de 2024, está relacionado com atos de corrupção em projetos imobiliários e licenciamentos urbanísticos na Câmara de Espinho, envolvendo dois ex-autarcas.

A operação culminou em 10 de janeiro de 2023 com a detenção do então presidente da Câmara, Miguel Reis, o chefe da Divisão de Urbanismo e Ambiente daquela autarquia, um arquiteto e dois empresários por suspeitas de corrupção ativa e passiva, prevaricação, abuso de poderes e tráfico de influências.

Em 10 de julho do mesmo ano, o MP viria a deduzir acusação contra oito arguidos e cinco empresas, incluindo o então deputado do PSD Pinto Moreira, que foi o antecessor de Miguel Reis na autarquia.


Fonte : Lusa/Fim


Pinto Moreira diz que processo destruiu carreira política que estava no auge


O ex-presidente da Câmara de Espinho Pinto Moreira, arguido no processo Vórtex, disse hoje que viu a sua carreira política destruída por causa deste caso, criticando a postura do Ministério Público (MP) que considerou ser aviltante.


Nas declarações finais ao tribunal de Espinho, no distrito de Aveiro, onde está a decorrer o julgamento do processo Vórtex, o ex-autarca reafirmou a sua inocência e disse estar de consciência absolutamente tranquila relativamente a este caso.

"Não posso assumir atos que não pratiquei em circunstância alguma. 

Não sou corrompível, não sou subornáver, reafirmou, dizendo acreditar numa decisão absolutória.

Sublinhou ainda as graves consequências para a sua vida pessoal, familiar e profissional que este caso lhe trouxe, adiantando que viu destruída a sua carreira política, que à época, "estava no auge".

"O meu percurso político estava em fase ascensional. Era vice do grupo parlamentar do PSD com responsabilidades em funções de Estado e era presidente da comissão de revisão constitucional (...).

 Este processo claramente matou a minha carreira política, com muita mágoa", afirmou.

Pinto Moreira mostrou-se ainda desagradado com a atuação do MP neste caso, que considerou ser aviltante, dizendo ter sérias dúvidas se quer continuar a servir o Estado, e agradeceu a forma como continua a ser considerado pela população espinhense, observando que nunca ouviu qualquer consideração na rua menos respeitosa para consigo, apesar do grande impacto mediático deste processo.

O seu sucessor na autarquia, Miguel Reis, coarguido no processo, limitou-se a falar sobre as alterações que ocorreram na sua vida desde o início do julgamento, afirmando que também não pondera voltar a exercer funções de interesse público.

"Neste momento, não faço nenhum serviço publico, nem tenciono voltar a fazer (...). 

É uma página virada na minha vida", referiu, adiantando que o seu foco é a arquitetura e a família.

Outro dos arguidos que pediu para falar foi o arquiteto João Rodrigues que reafirmou a sua inocência, sustentando que os factos que lhe são imputados não correspondem à verdade.

"Fui envolvido num enredo que não é meu (...). 

Nunca fiz nada de ilegal, nunca tentei, nem corrompi ninguém.

Nunca presenciei qualquer ato de corrupção", afirmou.


Fonte : Lusa/Fim


Leitura de acórdão marcada para 20 de março no Tribunal de Espinho


A leitura do acórdão do processo Vórtex, que tem entre os arguidos dois ex-presidentes da Câmara de Espinho, foi marcada para 20 de março, mais de um ano e meio depois de o julgamento ter começado no tribunal local


A data da leitura do acórdão foi comunicada pelo juiz presidente do coletivo que julgou o caso, após as alegações finais e as últimas declarações dos arguidos que decorreram hoje, no tribunal de Espinho, no distrito de Aveiro.

O julgamento começou a ser julgado a 05 de setembro de 2024 no Tribunal de Espinho.

Em causa estão atos de corrupção alegadamente praticados por dois ex-presidentes da Câmara de Espinho, Miguel Reis e Pinto Moreira, num processo que tem mais seis arguidos singulares e cinco empresas, relacionado com projetos imobiliários e licenciamentos urbanísticos.

O processo está centrado em "projetos imobiliários e respetivo licenciamento, respeitantes a edifícios multifamiliares e unidades hoteleiras, envolvendo interesses urbanísticos de dezenas de milhões de euros, tramitados em benefício de determinados operadores económicos".

A operação culminou em 10 de janeiro de 2023 com a detenção do então presidente da câmara, Miguel Reis, o chefe da Divisão de Urbanismo e Ambiente daquela autarquia, um arquiteto e dois empresários por suspeitas de corrupção ativa e passiva, prevaricação, abuso de poderes e tráfico de influências.

Em 10 de julho do mesmo ano, o Ministério Público viria a deduzir acusação contra oito arguidos e cinco empresas, incluindo o então deputado do PSD Pinto Moreira, que foi o antecessor de Miguel Reis na autarquia.

Miguel Reis está acusado de quatro crimes de corrupção passiva e de cinco de prevaricação, enquanto Pinto

Moreira responde por dois crimes de corrupção passiva, um de tráfico de influência e outro de violação das regras urbanísticas.

O empresário Francisco Pessegueiro está acusado de oito crimes de corrupção ativa, um de tráfico de influência, cinco de prevaricação e de dois crimes de violação das regras urbanísticas.

Miguel Reis e Francisco Pessegueiro chegaram a estar em prisão preventiva mas foram entretanto libertados.


Fonte : Lusa/Fim




segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Desvio transito entre ruas 8 e 5

 

Um desvio de trânsito entre ruas, geralmente causado por obras ou obstruções, envolve a criação de um novo percurso temporário




Presidenciais 2026 - Henrique Gouveia e Melo na feira semanal de Espinho

 

  Henrique Gouveia e Melo na feira semanal de Espinho


 O candidato presidencial Gouveia e Melo desatou-se hoje a rir, quando foi confrontado com o facto de o seu adversário André Ventura ter criticado campanhas baseadas em ataques, a falar-se mal uns dos outros.


No domingo, em Viseu e em Aveiro, o presidente do Chega recusou um estilo de campanha presidencial em que os adversários passem o tempo a falar "mal uns dos outros" e considerou que "ninguém quer" isso no país.

"Eu quero fazer uma campanha elevada, discutir as causas e os problemas do país", contrapôs André Ventura.

Confrontado com estas declarações, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada reagiu soltando uma gargalhada:

"Eu vou rir-me, não há outra hipótese. 

Essa foi boa, essa é uma boa piada:

O candidato André Ventura lamentou os ataques", exclamou, sempre a rir-se perante os jornalistas.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Gouveia e Melo criticou uma vez mais a "falta de transparência" na vida política.

"A transparência muitas vezes tem a ver também com a coragem para explicar à população as coisas que são difíceis de explicar. 

Há uma tendência para dourar a pílula - e isso é infantilizar a população. 

A população não precisa de ser infantilizada", defendeu.

Na opinião do almirante, quando se sabe o que se enfrenta, "consegue-se melhorar o planeamento, melhorar as capacidades para enfrentar as dificuldades".

"De facto, vamos viver um período muito difícil nas relações internacionais, que terão reflexos também na economia. 

Temos de ser verdadeiramente muito pragmáticos, fazer bom planeamento, mas também controlo ao nível da execução", sustentou.

Segundo o candidato presidencial, no caso da saúde,"a sensação é de desorganização e nem sequer há um bom controlo da execução - e a gestão obriga a um bom controle da execução".

"Uma boa gestão obriga à direção, que é o planeamento, depois à execução e depois ao controle dessa execução para corrigir todo o sistema", acrescentou, antes de voltar a invocar o que o país fez no combate à covid-19, designadamente em matéria de vacinação da população.

"Quando não há controlo, necessariamente a gestão tem depois problemas. 

Muitos não compreendem isto, porque nunca estiveram nestas situações", acrescentou.


Lusa/Fim