quarta-feira, 24 de junho de 2026

Obras na Linha do Norte trazem cortes na circulação de comboios até 2029

 

Obras da Linha do Norte entre Válega e Espinho começam hoje e vão durar três anos


 A empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP) iniciou hoje a empreitada para renovação de 19 quilómetros da Linha do Norte, entre Espinho e Válega, no concelho de Ovar, que custará 76 milhões de euros em três anos.


A obra nesse troço de ferrovia no distrito de Aveiro vai ser executada pelo consórcio constituído pelas empresas Somafel - Engenharia e Obras Ferroviárias, Construções Gabriel Couto e Teixeira Duarte, integrando um plano de investimentos mais abrangente destinado a aumentar a segurança das linhas e a sua flexibilidade comercial.

Na cerimónia de consignação da empreitada, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, classificou a intervenção como “absolutamente essencial" e apontou-a como prova de que os avanços para construção da Linha de Alta Velocidade não invalidam a aposta na ferrovia entre Porto e Lisboa.

"A Alta Velocidade só vai abrir mais espaço na Linha do Norte", defendeu o governante, assumindo como expectável que, no futuro, se verifique uma significativa deslocação de passageiros da via atual para a superrápida, o que deverá libertar a já existente para mais transporte de mercadorias.

As obras em curso nessa e noutras zonas do país, na medida em que antecipam necessidades futuras, constituem, por isso, o que Pinto Luz considera "um esforço coletivo de investimento, completamente transformador do país".

Ainda sobre o crescimento esperado no transporte de mercadorias, Maria Helena Campos, do conselho de administração da IP, realçou que a empreitada entre Válega e Espinho prevê a construção de vias de resguardo de pelo menos 750 metros, para estacionamento desses comboios enquanto circulam os de passageiros.

Paulo Tavares, também da IP, prevê, ainda assim, um aumento de 45% na circulação de pessoas, que deverá passar de 5,8 para 8,4 milhões de passageiros por ano.

 Tendo isso em vista, outras transformações anunciadas para a Linha do Norte são a "renovação de equipamentos em fim de vida, substituição integral da via catenária, alteração do layout das estações de Esmoriz e Ovar, novos cais de passageiros e supressão de passagens de nível rodoviárias e pedonais".

Esse último exemplo foi, aliás, um dos valorizados por Pinto Luz, que, no contexto dos "vários desafios" que Espinho enfrenta ao nível das suas vias de circulação, destacou "o flagelo" das passagens de nível e as "constantes notícias trágicas" sobre ocorrências nos seus atravessamentos.

Outros desafios associados a Espinho, ainda segundo o governante, são a Linha do Vale do Vouga, onde quer melhorar o acesso a Gaia por parte das comunidades situadas entre Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis, e depois a Estrada Nacional 109, onde é "uma prioridade absolutamente incontornável" travar o seu grau de degradação.

Na mesma cerimónia, o presidente da Câmara Municipal, Jorge Ratola, afirmou que o ministro Pinto Luz "tem feito por Espinho muito mais do que as pessoas pensam ou sabem", mas lançou-lhe um apelo:

 "Que aburocracia com que somos confrontados todos os dias - com decisões que demoram anos e anos a ser btomadas - seja mais ágil e [que os decisores] não se resignem ao estado das coisas".


Fonte :  Lusa/Fim




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