terça-feira, 9 de junho de 2009

ReCaFe - Requalificação da zona ferroviária aguarda licença para terraplanagens


 

Requalificação da zona ferroviária aguarda licença para terraplanagens 


Ainda não se notam mudanças na zona de Espinho que espera ser requalificada desde que a circulação do comboio é subterrânea, mas o arquitecto Rui Lacerda Machado garante que "a obra não está parada" e José Mota diz que se irá "processar por fases, com cuidado".

"A obra não está parada. Está em movimento, em elaboração, [com] rectificações no terreno, ajustamento de cotas", afirma Rui Lacerda Machado, que assina o projecto destinado a dar uma nova utilização ao terreno onde, até Maio de 2008, os comboios da Linha do Norte circulavam à superfície.
"Nesta altura, foi entregue na Câmara Municipal o projecto de terraplanagens", declara o arquitecto, "e, por opções camarárias, [a obra] irá ser feita por fases".

"A primeira é considerada de grande importância estratégica", visando a extensão entre a entrada norte da cidade, no local onde foi derrubada a ponte que antes dava acesso às praias, e a Rua 15, mais próxima do centro de Espinho.

"Todos sabemos da ânsia das pessoas de ver obra realizada", reconhece Rui Lacerda Machado, afirmando que "vai ser executada, está a ser pensada para tal e vai aparecer".

José Mota, presidente da Câmara Municipal de Espinho, declara: "As coisas não podem ser feitas à toa e este projecto vai realizar-se de forma faseada, com muito cuidado".

O investimento em causa está estimado em cinco milhões de euros e deverá ser objecto de uma candidatura ao QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional.

"Estamos convencidos de que a obra vai custar mais que isso e, em alguns aspectos, como o do estacionamento subterrâneo [para 400 viaturas], pensamos fazer uma concessão de construção", adianta o autarca.

Rui Lacerda Machado anuncia, no entanto, homogeneidade para todas as intervenções a concretizar na que virá a ser uma Avenida 8 alargada, de forma a garantir a devida "sutura" entre as zonas antes separadas pela linha férrea.

Essa unidade será garantida com recurso a um "desenho de pavimento que tudo invade e que recorda uma rede de pescadores estendida - a rede dos pescadores que estão na origem e deram vida a Espinho".

A mesma malha gráfica representará também os carris "do comboio que um dia ocupou o espaço, serviu para o desenvolvimento económico da cidade e hoje, enterrando-se, dá lugar a espaços de ócio e serviços de que os cidadãos se servem".

Essa geometria implicará várias escalas: os pavimentos constroem-se com diferentes materiais e a agregação de vários módulos permite definir tanto as zonas verdes onde se implantam árvores ou superfícies de água iluminadas, como as áreas onde ficarão localizados bares, restaurantes, o posto de turismo, zonas de jogos, um parque infantil e outros espaços lúdicos e de serviços.

Rui Lacerda Machado reconhece que "a reformulação e requalificação de todo este vazio é uma aspiração justa da comunidade espinhense" e defende que o seu projecto - cuja "contemporaneidade pretende render a homenagem devida à história do local" - se propõe "dar resposta a esse anseio".
"Esta obra vai, de facto, mudar esta parte da cidade", acrescenta.

"Cria novas possibilidades e novas formas de estar num local que já foi também emblemático para a cidade. Vai proporcionar um grande espaço de animação, lazer e convívio. Um espaço que seja apetecível para a comunidade".

"É um facto que esta área, só por si, não é o motor de transformação da cidade", admite o arquitecto. Mas "deve ser o início de uma abordagem mais ampla, no sentido do tratamento de outras áreas de Espinho".




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