domingo, 10 de julho de 2022

Meia centena de pessoas fazem “velório” da passagem de nível superior da Granja em Gaia


Meia centena de pessoas fazem "velório" da passagem de nível superior da Granja




Cerca de 50 pessoas marcharam hoje junto à estação de comboios da Granja, em Vila Nova de Gaia, em protesto contra a obra da Infraestruturas de Portugal (IP) na Linha do Norte.


De preto, com flores e velas na mão, e com uma faixa que dizia “Este lugar pode ser diferente. 

Parem de o destruir” a iniciar a marcha, residentes, veraneantes e comerciantes da Granja marcharam desde a estação de comboios até à praia, num protesto em jeito de "velório" organizado pelo movimento Cidadãos Praia da Granja.

A principal reivindicação do grupo é impedir que a passagem de nível superior projetada pela IP para a estação de comboios continue a ser construída, um elemento que apelidam de “mamarracho” e que tem cerca de sete metros de altura.

“Continuaremos a pedir que removam o mamarracho. 

Acreditamos que é possível porque temos a razão connosco. 

Todas as soluções más arquitetónicas acabam por ir abaixo. 

Basta ver o prédio Coutinho em Viana [do Castelo] demorou 50 anos, mas foi abaixo. Aqui esperemos conseguir mais cedo”, disse Luís Tovar, do Cidadãos Praia da Granja, à agência Lusa.

Este não é o primeiro protesto marcado pelo movimento que já endereçou cartas ao Presidente da República e apresentou queixas junto do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, bem como ao Ministério Público e ao Provedor da Justiça Europeu, com o argumento de mau uso de fundos comunitários.

Hoje a marcha fez-se quer a pé, quer de bicicleta, com carrinhos de bebé e trotinetes para “mostrar que a passagem de nível é uma barreira arquitetónica e de mobilidade”.

Teresa Sousa e Leandro Costa são pais de três crianças de um, quatro e sete anos. 

À Lusa disseram que usam a estação para passar da chamada Granja de cima para a Granja de baixo quer por causa da praia, quer para usar a piscina.

“Isto é uma barreira.

 Não sei como vamos passar porque falam nos elevadores – e sim, estão a ser construídos – mas a experiência que Espinho tem é de estarem sempre avariados”, disse Teresa Sousa.

Ao lado, Fernando Carlos, de 60 anos, chamava a atenção para a proximidade de um centro de reabilitação para pessoas com deficiência física, motora e intelectual que fica do lado superior da linha.

“Os utentes que usam esta passagem e vão de cadeiras de rodas como é que vão fazer?”, questionou, alertando para a existência de utentes invisuais e surdos.

Residente na Granja há 27 anos, Fátima Travanca também é contra esta obra porque “nunca a passagem pedonal deu problemas”, garantiu à Lusa, enquanto depositava flores e acendia uma vela em sinal de protesto ao lado de Olímpia Soares, de 67 anos, que lamentou: 

“Com estas escadas todas, nunca mais vou poder passar de um lado para o outro”.

Em causa está o projeto que a IP tem vindo a implementar ao longo do troço ferroviário da Linha do Norte entre Espinho (distrito de Aveiro) e Vila Nova de Gaia, o qual inclui a colocação de separações acústicas, reformulação de apeadeiros e construção de passagens pedonais superiores para substituir as atuais.

Esta obra já motivou petições públicas, pedidos de esclarecimento e protestos como o que decorreu a 30 de abril e juntou no local cerca de uma centena de pessoas.

Na assembleia municipal de Gaia de 28 de junho, o presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, disse que deverá ser fechado até 31 de julho um protocolo "de alto nível" sobre as passagens superiores da Granja e da Aguda.

Segundo o autarca, o objetivo do protocolo, a assinar "pelo senhor ministro" da tutela Pedro Nuno Santos, é "outorgar politicamente" a solução para a travessia da Linha do Norte.

Eduardo Vítor Rodrigues disse acreditar numa "boa solução", mas admitiu que "nunca será perfeita".

A 14 de abril, em resposta à agência Lusa, a IP afirmou que a construção de uma passagem inferior pedonal constitui “maior risco à segurança dos utentes”.

“A criação de uma passagem inferior pedonal não asseguraria condições de visibilidade do exterior para o interior da passagem, o que constitui um maior risco a segurança dos utentes, e, em caso de falha de fornecimento de energia ao sistema de bombagem, ficaria impedido o acesso dos passageiros à plataforma central e a evacuação dos mesmos em casos de emergência e socorro”, referiu a IP.

Sobre esta justificação, o grupo Cidadãos Praia da Granja garante ter “informações e pareceres contrários”.

O movimento fala em "solução imposta sem estudo de impacto ambiental e sem consulta pública à população".

Além da polémica relacionada com a construção de passagens superiores e de muros nas zonas de Miramar, da Granja e na Aguda, que tem sido alvo da contestação das populações locais, que já os apelidaram de “mamarracho”, “escarro arquitetónico” ou “muros de Berlim”, também está em causa a construção de uma passagem superior na Madalena, que poderá levar à demolição de um mirante do século XIX.

 

FONTE :  Lusa/Fim





























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